Novas plataformas permitem conhecer o salário de diversas empresas e diferentes regiões para que nenhum funcionário fique com a pulga atrás da orelha na hora de pensar em sua remuneração
MARINA RIBEIRO
17/11/2014
Ditam as convenções sociais que é falta de educação perguntar o quanto ganham conhecidos, em geral. Mesmo entre amigos e familiares, muitas vezes o dado não é divulgado. Mas como saber se seu salário está de acordo com o mercado, então? Sites permitem que você compare sem ter que sair por aí fazendo a pergunta infame.
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) lançou na semana passada o site salários.org.br.
Nele, o internauta pode consultar a média de salários de cargos por localidades e ainda buscar com base em outros filtros como idade, gênero, escolaridade.
O resultado da consulta é a média dos salários de contratação nos últimos seis meses, com base nos salários médios de contratação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).
Segundo o idealizador do site, o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP Hélio Zylberstajn, o site disponibiliza dados públicos importantes para os profissionais que, por vezes, não são fáceis de encontrar.
A fundação optou então por lançar o site salarios.org.brorganizando as informações que já estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho. “Acreditamos que o mercado funciona melhor se houver muita informação e de fácil acesso”, diz.
Além do Salariômetro, o site também traz uma aba com todos os dados sobre acordos salariais, pisos e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), desde 2007, quando passaram a ser publicados virtualmente pelo Ministério do Trabalho.
Tais dados permitem que o cidadão possa conferir como estão as negociações em várias categorias e verificar se o sindicato da sua está caminhando junto com os demais.
“Se não existe informação, as decisões são tomada às cegas o que é ruim para a empresa e para o profissional”.
Não só profissionais podem usar. Departamentos de Recursos Humanos de muitas empresas se baseiam nestes dados para verificar se os valores oferecidos nas vagas da empresa são competitivos.
Além disso, o Tribunal de Contas da União o utiliza para auditar contratos e verificar se o pagamento dado em obras públicas está de acordo com a média salarial no mercado.
Por fim, os gráficos interativos da Folha Salarial apresentam a evolução real dos salários pagos por empresas nos últimos anos, com base nos depósitos das contas vinculadas do FGTS (fundo de garantia).
Eles dão base para compreender melhor a economia brasileira.
Segundo o professor, é impressionante que nos últimos 11 anos os salários cresceram duas vezes e meia.
O site Love Mondays é um espaço em que profissionais podem avaliar as empresas em que trabalharam.
A plataforma permite também que o usuário cadastre seu salário e consulte quanto outras empresas pagam para diferentes cargos. Luciana Caletti, CEO da Love Mondays, afirma que a ferramenta foi pensada para dar ainda mais informações para o profissional, já que na maioria das vezes o salário é o último ponto a ser discutido em um processo de seleção, quando já se investiu muito tempo e esforço na vaga.
“O processo de seleção para uma vaga começa com uma grande disparidade de informações. As empresas sabem muito sobre o candidato por meio do currículo e redes sociais, mas o profissional tem poucas maneiras de saber mais detalhes sobre a realidade da companhia em que quer trabalhar. Por isso, nós queremos dar mais informações para o profissional para que ele tome uma decisão acertada”, diz.
A plataforma já conta com 40 mil avaliações, mas pretende expandir o número. Para isso, todo usuário que desejar consultar os salários deve antes cadastrar o seu (de maneira anônima). Para garantir veracidade dos dados, a equipe do site usa dados da média de salários (como os do site salários) para ver se o que foi informado está dentro da realidade.
Salário não é tudo
A consultora e professora da área de gestão de pessoas da ESPM, Fátima Motta, alerta que por mais que o salário seja um fator importante, outros aspectos da vaga são ainda mais. Para ela, antes de considerar uma vaga é preciso avaliar como o novo trabalho impactará a vida do profissional, por causa dos deslocamentos, benefícios e o autodesenvolvimento profissional.
“Uma escolha adequada é quando a pessoa faz uma reflexão sobre seus objetivos e os da empresa em que pretende trabalhar, para avaliar onde ela de fato quer colocar seu esforço e trabalho”, afirma.
Por fim, ela alerta que é preciso cautela na hora de usar esses dados para negociar um aumento. Afinal, muitas vezes o nome do cargo pode designar diferentes atribuições, dependendo da empresa.
Por isso, a professora aconselha que a reflexão seja feita com base nas competências e quanto elas valem no mercado.
Contudo, dados extraídos dos sites podem ajudar como um parâmetro para uma conversa sobre o tema.
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