
“SEM SAÍDA” – Gen Gilberto Pimentel, Presidente
do Clube Militar
Quem não viveu mais de meio século neste País não viu, nem de longe,
crises que possam ser comparadas com as que hoje castigam nossa gente.
Elas começaram a tomar forma a partir da ascensão do petismo ao
poder e parecem não ter fim.
São políticas, sociais e econômicas e atingem
todas as instâncias dos poderes constituídos.
São também, e sobretudo, crises morais e de valores.
Uma herança
trágica que, certamente, vai perdurar por muitos anos até que tenhamos
condições de voltar a ser uma Nação séria e considerada pela comunidade
internacional.
Uma tragédia sem precedentes.
Há nessas crises um ingrediente a mais, explosivo, capaz de
romper o já frágil equilíbrio entre os Poderes e de criar um cenário social que
termine por propiciar o florescimento da anarquia.
Refiro-me aos episódios, quase em série, de claro desrespeito à
Carta Magna.
Leis e princípios constitucionais têm sido ignorados,
interpretados ao sabor de interesses imediatos, pessoais, quase sempre escusos,
exatamente pelas autoridades investidas de poderes para aplicá-los em nome de
uma Justiça equânime, igual para todos.
Até argumento de preservação da
governabilidade tem sido invocado como razão para ignorar as leis. Isso não é
nada razoável.
É, sim, uma grave distorção.
Para não nos estendermos, já que os exemplos são muitos e
bastante conhecidos, quero me referir, tão somente, a dois inacreditáveis que
se seguem.
Primeiro ao do julgamento do processo de impeachment da
presidente da República, quando, incentivado pelo ministro do STF que o
conduzia e pelo presidente do Senado, o plenário da Casa, simplesmente, fechou
os olhos para o que determinava a CF e deixou de punir a transgressora na forma
da lei.
Ou seja, cassou seu mandato pelas irregularidades e crimes de que era acusada,
mas deu-lhe um passaporte para exercer seus direitos políticos a partir do dia
seguinte ou de quando lhe aprouvesse.
Mais recente, outra vez o presidente do Senado, num ato de
enfrentamento à Justiça, recusou-se a receber ou reconhecer uma medida liminar
expedida por um outro ministro do STF e, pior ainda, o plenário do Supremo,
posteriormente, lavou as mãos diante do grave crime cometido.
Caso único de
abuso de autoridade e gravíssimo de desrespeito às leis.
A delação premiada de um funcionário da Odebrecht, que veio a
público no final de semana, envolvendo quase uma centena de dirigentes,
políticos e autoridades de todas as instâncias do poder, somados aos já
investigados, reforça a nossa convicção de que a situação é crítica.
É preciso
encontrar uma saída.
A realidade é que os interesses do Brasil, para essa
gente, são irrelevantes.
No que pensam mesmo é em livrar seu pescoço.
O que mais ansiamos hoje é que esses irresponsáveis, do alto de
sua ambição desmedida, num rasgo de consciência, lembrem-se que a um povo não
pode ser negada a chance de uma saída para suas dificuldades.
Acuá-lo pode ser
muito perigoso.
Ao menos permitam que resolva seus problemas por si só.
Deixem
espaço para que haja escoamento.
Do contrário o caminho será
aberto à força. Com todas as consequências.
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