Preso por tráfico, comerciante cumpre pena em regime aberto no PR
BRASÍLIA - O comerciante Farouk Abdul Hay Omairi anda pelas ruas
de Foz do Iguaçu (PR) sem ser notado. Parece ser apenas mais um morador de
origem árabe. Seguidor de costumes muçulmanos, sua mulher usa véu. Os filhos
estão sempre por perto.
E quase todos tentam ajudar o pai a remontar seu negócio, uma
agência de viagens. A empresa ia bem até junho de 2006. Foi quando veio a
público comunicado do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sobre a rede
de financiamento do Hezbollah na Tríplice Fronteira. Nove nomes foram listados.
Farouk Omairi estava entre eles.
Segundo o texto, o
libanês, que tinha 61 anos e vivia no Brasil, era ligado ao tráfico
internacional de drogas. Farouk seria ainda mais perigoso: foi apontado como o
principal membro do Hezbollah na região.
Uma espécie de coordenador da comunidade. Farouk era a
"figura-chave" para obtenção de documentos falsos, tanto no Brasil
como no Paraguai, que eram usados nas requisições de naturalização nos dois
países.
Naquele mesmo 2006, a
Polícia Federal abriu inquérito no Brasil. Mas o caso era apenas envolvimento
com narcotráfico. No ano seguinte, o libanês, que fala francês e árabe
fluentemente, foi preso por ordem judicial. Era a Operação Camelo, da PF.
O filho Kaled Omairi também foi detido. Outro filho, Ahmad, menor
de 21 anos, fugiu.
Os três da família Omairi
foram condenados por associação para o tráfico internacional. Farouk pegou 12
anos de prisão, e foi parar, ao lado de Kaled, no presídio federal de segurança
máxima de Campo Grande. Na época, estava no mesmo presídio o traficante
Fernandinho Beira-Mar.
O envolvimento de Farouk com o financiamento do terrorismo chegou
a ser citado no processo, mas não se transformou numa acusação formal. Mesmo
assim, o setor de inteligência da PF tratou de monitorar a vida do libanês.
Os policiais se mantinham informados sobre quem visitava Farouk na
cadeia federal, quando e quantas vezes.
Relatório de inteligência
lista encontros dele com advogados e parentes em Campo Grande. Hora e duração
das conversas foram registradas e repassadas para a área de inteligência da PF.
Oficialmente tratado apenas como um traficante que cumpria pena,
Farouk teve direito a passar para o regime semiaberto e, em 2012, ganhou as
ruas no regime aberto, sendo obrigado a se apresentar regularmente à Justiça.
Recentemente, seus
advogados pediram autorização para que ele possa cruzar a Ponte da Amizade e ir
ao Paraguai. A alegação é que Farouk precisa tocar os negócios de turismo, o
que não poderia ser feito sem idas ao país vizinho.
O advogado Oswaldo Loureiro
de Mello Júnior diz que Farouk prefere não falar sobre as acusações.
- Isso é propaganda
negativa para ele. Seria levantar a poeira que está assentando, e ele quer
recuperar a empresa - diz o advogado. - Aquela história foi um inferno na vida
dele.
Mello Júnior sustenta que
o cliente sempre negou qualquer ligação com o Hezbollah, nem teve coragem de se
aproximar de outros presos na cadeia:
- Ele pode até ser um
criminoso (por conta da condenação por tráfico), mas não é um vagabundo. Usa
camisa Lacoste, frequenta restaurantes, fala outras línguas, é um homem comum
que não ia se meter com preso de facção.
O advogado ainda alega que
Farouk só foi denunciado porque uma mulher com quem manteve relacionamento o
delatou às autoridades. A agência de viagens do libanês foi usada para emitir
passagens internacionais para pessoas que, mais tarde, foram presas por
envolvimento com narcotráfico.
No processo, ele é citado como sendo responsável pela montagem de
esquema de envio de "mulas", pessoas contratadas para levar drogas à
Europa e à Jordânia.
Mello Júnior sustenta que o cliente emitiu passagens, mas sempre
negou ter ligação com remessa de cocaína ao exterior.
O filho Ahmad Omairi até
hoje é considerado foragido da Justiça, e a defesa ainda conta que o crime dele
pode prescrever porque, na época dos crimes, tinha menos de 21 anos.
-
Ahmad está em outro país - diz o advogado.
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