Raul Seixas deixa Tom Jobim para trás
Há 12 semanas em cartaz, "A Música Segundo Tom Jobim" atingiu no último fim de semana a marca de 72 mil espectadores. Um Morumbi lotado, ou dois Pacaembus cheios, para assistir à coletânea de apresentações organizada pelo diretor Nelson Pereira dos Santos.
Para um documentário, esse público é altamente positivo, uma vez que o circuito cinematográfico está voltado, desde o início do século 20, para o filme de ficção. E olhe que muitos filmes de ficção, lançados em maior número de cinemas do que os documentários, não chegam a esse patamar.
Pois bem: há apenas três semanas em cartaz, "Raul - O Início, o Fim e o Meio" já alcançou 83 mil espectadores. E a vantagem sobre "Tom" deve aumentar enquanto o filme de Walter Carvalho sobre Raulzito se mantiver em cartaz (clique aqui para ver o trailer).
Dos 99 filmes brasileiros lançados nos cinemas em 2011, apenas 18 tiveram mais de 70 mil espectadores. Entre eles, somente um documentário: "Bahêa Minha Vida", sobre o Esporte Clube Bahia, que foi visto por 75 mil torcedores, o equivalente à antiga Fonte Nova lotada.
O êxito de "A Música Segundo Tom Jobim" e de "Raul - O Início, o Fim e o Meio" representa um novo capítulo na recente e bem-sucedida aproximação entre o documentário e a tradição musical brasileira, que inclui títulos como "Cartola" (2006), "Loki - Arnaldo Batista" (2009) e "Uma Noite em 67" (2010), entre muitos outros.
Um dos próximos a entrar em circuito será o ótimo "Tropicália", de Marcelo Machado, que abriu, em março, o É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários.
Seu potencial também permite sonhar com a faixa dos 100 mil espectadores, talvez mais.
Diversos fatores ajudam a explicar por que os números de "Raul - O Início, o Fim e o Meio" são um pouco mais expressivos do que os de "A Música Segundo Tom Jobim".
Nenhum comentário:
Postar um comentário