Clarisse Cristal e o mergulho na escuridão

Clarisse Cristal e o mergulho na escuridão

Talvez não seja um sonho.
Enfim...
E ela esteja lá...
Na alcova minha
À meia luz!
Esperando por mim...
Enquanto na vitrola...
Toca o mais puro lamento negro,
A mais cristalina negra dor.
''Nunca me interessei por revisitar cenários''Disse Clarisse para si mesma, mas com vontade de gritar bem alto para todo mundo ouvir. Pois o elementos, que ela podia lembrar, estavam todos lá disposto diante dela. O balcão de mármore carrara, o bar com vários tipos de bebidas e copos de vários estilos, marcas e preços, as cadeiras espreguiçadeiras de praia gêmeas as famosas outdoor dubbele chaise lounge, a mureta com o peitoril e grande fabrica em detalhes artesanais, mesas e cadeiras distribuídas simetricamente e uma pequena piscina e a bela vista para o mar. Uma olhada rápida e Clarisse notou um grande retrato em preto e branco, com a assinatura de fotografo famoso, era o professor Muteia muito bem vestido, como de costume, mas de maneira casual ladeado de uma jovem e bonita mulher elegantemente vestida, também de maneira casual. Ele sentado em uma poltrona e ela em pé e com as mãos em volta do pescoço do africano em terno carinho: — Então esta é Agnela e esposa de Muteia — Pensou Clarisse em um lampejo
Belo local de trabalho professor Mutéia!
É Muteia sem acento, há um hiato no meu nome e na minha vida. Podes de me chamar pelo meu prenome Adérito. Vamos sentar logo e começar a entrevista, pois não tenho muito tempo menina/mulher.
Foram andando lentamente em direção de uma mesa a poucos metros da pequena mureta de frente para o mar. O africano afastou uma cadeira de forma cavalheiresca, Adérito ocupou uma cadeira em frente de Clarisse e em um estalar de dedos um garçom apareceu para atende-los. Clarisse deu uma olhada melhor no homem e viu que era mais que um garçom era um mordomo que os servia.
Secretário me traga uma chávena de chá e os meus charutos, o que queres minha querida Clarisse?
O chá para mim esta bom e dispenso os charutos!
Sim senhor! Vou trazer duas chávena de chá e os charutos!
O homem desapareceu tão rápido como surgiu e por fim os dois estavam em um lugar reservado e sozinhos. Clarisse tinha mil perguntas para fazer e ao mesmo tempo queria fugir do óbvio, pois ali quem estava diante dela uma pessoa qualquer.
Então como é o nome do veículo que trabalhas?
Revista Astro-domo, de literatura, estética e arte em geral!
Interessante, já a conheço e bem moderna, pois estão em todas nas plataformas digitais pelo que sei.
Então o senhor conhece a nossa pequena revista?
Ligo o gravador miúda e vamos logo começar a trabalhar!
A pressa do africano fez um alarme disparar em Clarisse, pessoas como a formação dele não tendem a ter muita pressa quando estão trabalhando. Adérito era forjado em parte pela velha escola europeia. Esperam por um tempo sem saber o motivo, e entreolharam com profundidade, o clima só foi quebrado com a volta do secretário. Ele voltou com uma bandeja de prata coberta por um delicado pano de linho, os serviu de forma solene e sem nada dizer e se retirou também de forma solene. Clarisse achou tudo muito exagerado e por demais refinado para uma simples entrevista.
Então professor quer estabelecer alguns limites para a entrevista?
Creio que não, minha cara só fico contente de poder ser entrevistado por alguém mais próximo que eu. Quase não se vê muitos negros na literatura aqui e é primeira vez que dou entrevista para outra pessoa da minha raça neste belo país.
Então que é ser escritor para o senhor? — Clarisse usou uma clichê logo de entrada.
Não posso falar e literatura e arte em geral hoje sem olhar para o passo para compreender o presente. Se no passado não muito distante de nós escritores escreviam usando a pena e era iluminados pelo luz de velas e candeeiros e tendo a geração seguinte a máquina de escrever e a luz elétrica e a máquina a vapor dando um ritmo mais acelerado para a nova sociedade menos agrária em mais urbana. Isso se reflete na escrita e nas arte em geral, pois a velocidade de hoje, com a escrita digital, acelerou muito mais a escrita mecanizada. Mas estou sendo muito enfadonho minha cara!
Não professor! — Ela queria dizer sim.
E escrever é transcender infinito, é fugir do óbvio e não conhecer limites! Respondo minha cara o que é realidade? No mundo de hoje a realidade é o que a gente quer que ela seja! — Clarisse ouve ao longe o ranger de uma porta se abrindo — E antecipando a tua segunda pergunta eu navego ou melhor flutuo na escola simbolista e surrealista. Trafego livremente por estas duas escolas, mesmo que esteja fora de moda falar em escolas nos dias atuais. E te digo que para o padrão de hoje são as escolas que mais poderia representar a pós-modernismo! — Clarisse ouve passos, eram o barulho típico de salto alto batendo no chão frio e duro do terraço. — Se a pouco me perguntasse sobre Agnes. Então te digo que ela é fruto da minha imaginação, uma filha querida na verdade na minha imaginação. — Uma sombra surge por detrás de Clarisse e se agiganta — Ela como outros personagens vem e vão ao sabor do vento e da ocasião... — A mulher passa ao lado de Clarisse e a jovem entrevistadora e reconhece é a mesma mulher que outrora estivera com Adérito Muteia na livraria — E é assim que o meu mundo literária surge minha querida, aos pedaços, nevoentos, nebulosos — Ela sussurra no ouvido de Muteia e ele sorri — São personagens rebeldes por natureza minha querida — A mulher se afasta sobe na mureta olha para Clarisse e sorri e mergulha. Clarisse atônita corre até a mureta e olha para baixo, ela estava em prantos, olha para baixo e muitos andares a baixo e vê o próprio corpo estatelado do chão. Clarisse recua em choque e olha de novo, os muitos andares sumiram e ela não vê mais nada. E sem nada entender voltou o sei olhar para Adérito Muteia que estava estático no mesmo lugar — Então é isso miúda, em tempos de realidade liquefeita nada é de verdade e vivemos em um mundo de mentiras, fugaz! — Ela estava de volta sentada de frente ao professor, tinha a cabeça pesada, Clarisse não sabe o que pensar e dizer naquela hora.
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