
Fórmula 1,
Fórmula Indy e outras categorias de monopostos deveriam renunciar ao cockpit
aberto. O feio halo, adotado de alguns anos para cá, não é a melhor maneira –
nem a mais estética – de proteger a integridade física dos pilotos que conduzem
suas máquinas, em altíssimas velocidades, com partes vitais de seus corpos
expostas. Detritos pequenos – porém letais – podem passar pelas aberturas do
halo.
É verdade que risco faz parte do show. Quem pilota um carro a 300 Km/h sabe o
perigo que corre, e o faz por dinheiro, pela fama, pelo prazer. Mas esse risco
tem de ser calculado, minimizado, controlado. O automobilismo de competição não
é um circo de gladiadores moderno. A morte não é (ou não deveria ser) parte do
espetáculo.
Os cockpits dos F1 e Indy de hoje são praticamente indestrutíveis e protegem a
vida dos pilotos em acidentes inacreditáveis. O que assusta são as mortes e
ferimentos causados por um braço de suspensão que se solta e perfura a viseira
de um capacete (Senna, na F1), uma roda solta que atinge a cabeça de um piloto
(Surtees, na F2), uma mola quicante que quase matou outro (Massa, na F1) e
tantos outros acidentes parecidos. Por melhor que seja o piloto, por mais bem
construído que seja o carro, como driblar tais perigos?
Depois da morte de Ayrton Senna, várias
modificações foram introduzidas nos carros da F1 para torná-los mais seguros.
Vidas foram salvas. Talvez seja a ocasião para um reexame das condições de
segurança em algumas categorias. Não é possível impedir que peças se soltem de
carros acidentados? Então talvez seja a hora de a F1 e de outras categorias do
automobilismo de competição renunciarem a um de seus mais charmosos atrativos:
o cockpit aberto.
Nunca se mexeu nisso porque o público gosta de
ver os pilotos em ação. É uma herança dos tempos românticos do automobilismo,
em que Juan Manuel Fangio e Tazio Nuvolari corriam de camiseta pólo, com um
gorrinho de couro e meio corpo exposto. É o “diferencial” dos monopostos
abertos em relação às corridas de Stock Cars, Protótipos, Endurance, Nascar
etc. Mas não é mais compatível com o nível de segurança que se exige dos esportes
automotores atualmente.
Uma solução seria adotar uma “bolha” de
plexiglass como “capota”, igual aos canopis dos aviões de caça. Transparente e
muito resistente, o plexiglass protegeria os pilotos de peças soltas, da chuva
ou de capotagens, e eles continuariam visíveis para o público.
Idéia maluca? Pode ser. Mas a F1 já experimentou
tantas maluquices em pouco mais de meio século de história (alguém ainda lembra
do Lotus-turbina de Colin Chapman ou do Tyrrel de seis rodas de Jody
Scheckter?), que não custaria tentar mais essa, não?
Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em
agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos
num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas
publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como
antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas
brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.
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