☼Pesquisas com soja e tabaco podem impedir HIV e combater cāncer ☼

Campo Aberto / pesquisa - 22/04/2011
Medicina que nasce no campo

Embrapa utiliza plantas para produzir substâncias que darão origem a produtos benéficos à saúde humana, como proteínas capazes de proteger o organismo da contaminação pelo HIV

por Janice Kiss
Experimentos também querem chegar à produção de antígeno para o combate ao câncer por folhas de tabaco

 Shutterstock
Plantas de estudo são cultivadas em biofábricas

As transformações que a biotecnologia tem trazido à agricultura não se limitam ao desenvolvimento de cultivares agrícolas mais produtivas e resistentes. Nas estufas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, técnicas de manipulação genética aplicadas a espécies vegetais comuns acenam com um futuro ainda mais inovador para a produção do campo. VEJA►►
Ali, um grupo de cientistas liderado pelo engenheiro agrônomo Elíbio Rech realiza há cerca de uma década pesquisas muito peculiares para gerar substâncias que darão origem a fármacos. Tais estudos, realizados em parceria com o Instituto Nacional de Saúde americano e a Universidade de Londres, têm como base a soja, usada na produção de hormônio de crescimento humano e também na obtenção de proteínas capazes de impedir a contaminação pelo vírus HIV; e o tabaco, empregado na pesquisa para a produção de anticorpos para o combate ao câncer.

Como produzirão substâncias até então desenvolvidas apenas pelo corpo humano, as espécies utilizadas nesses trabalhos, que relacionam produção agrícola a saúde, estão sendo chamadas de plantas humanizadas. "Mas jamais haverá risco de que elas sejam usadas para a produção de alimentos", apressa-se em dizer Rech.

Segundo o pesquisador, especialista de fitopatologia, o projeto tem como objetivo desenvolver novos produtos farmacêuticos e baratear processos já existentes. É o caso da produção do hormônio de crescimento, hoje sintetizado comercialmente por meio da cultura de bactérias, mas que, com o uso da engenharia genética, poderá ganhar escala e vir a custar um décimo de seu preço atual.
Filipe Borin 
A geração desses novos produtos baseia-se na transferência de genes entre reinos distinos, animal e vegetal. Tal operação só é possível em virtude da biobalística, processo que permite a introdução de genes selecionados em células de outros organismos.

Na produção de hormônio de crescimento a partir da soja, um equipamento de laboratório acelera microprojéteis de ouro ou tungstênio contendo a proteína de crescimento a uma velocidade acima de 1.500 quilômetros por hora, carregando os genes para o interior da célula do grão, que assim passa a produzir o hormônio (quadro ao lado).

Após esse "microbombardeio", como se refere Elíbio Rech, obtêm-se as mudas das plantas, que então são levadas para a estufa – ou biofábrica –, onde as condições de desenvolvimento são controladas. Foram necessários quatro anos para dominar as técnicas aplicadas nessas etapas.
Ernesto de Souza 
O experimento já rendeu cerca de 50 quilos de sementes, encaminhadas a indústrias farmacêuticas não reveladas pela Embrapa. Elas irão extrair o hormônio de crescimento dos grãos e testá-lo inicialmente em animais. Um medicamento proveniente dessas pesquisas levará eventualmente ainda uma década para ser lançado. "São necessários muitos ensaios para garantir sua segurança", diz Rech.
Alan Marques/ Folhapress
Elíbio Rech, da Embrapa: estudos trarão novas oportunidades para agricultores

A produção de uma proteína com capacidade de combater o vírus HIV – a cianovirina, encontrada em algas – está numa fase menos adiantada. Por meio da biobalística, a proteína está sendo inoculada em bactérias que se desenvolvem em sementes de soja.

O objetivo é chegar à fabricação de um gel feito com essa substância, a ser aplicado pelas mulheres na vagina antes das relações sexuais. Também em fase preliminar está o projeto para o desenvolvimento de um antígeno contra o câncer a partir de folhas de tabaco.

Nesse trabalho, são empregadas bactérias de solo que apresentam capacidade de transferir o gene selecionado para fabricar anticorpos. Elíbio Rech acredita que, com isso, as famílias de agricultores da região sul do país que têm o cultivo de tabaco como principal atividade poderão passar a fornecer matéria-prima para o setor farmacêutico, em lugar da indústria de fumo.

O pesquisador da Embrapa está convicto de que, no futuro, o país será um grande exportador não apenas de commodities, mas também de proteínas e medicamentos extraídos das plantas.
Leia Mais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

MADURO FOI CAPTURADO NESTA MADRUGADA PELOS "EUA", EM ATAQUE SURPRESA NA VENEZUELA.

  Explosões são sentidas em Caracas, na madrugada deste sábado, em meio ao ataque americano.  (Foto:   EFE ) EUA capturam ditador Maduro...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS