Comunista gosta é de emprego público. Em Brasília,,desde a época da ditadura, era comum: muitos jornalistas de esquerda, socialistas convictos, revolucionários de alto coturno se locupletavam com prebendas e mamatas nos gabinetes de parlamentares e órgãos de assessoria no Congresso, nos ministérios na Esplanada e numa infinidade de repartições e órgãos públicos da cidade.
O filé mignon eram os empregos nos escritórios dos governos estaduais, de preferência nos da Arena, o partido dos generais ditadores.
Na maioria dos casos, os 'coleguinhas' (como jornalistas referem a si próprios) só tinham o trabalho de buscar o dinheiro no fim do mês.
Eu posso contar. No início de 1977, uma amiga jornalista deu-me a notícia: um amigo comum (alto assessor do Ministério da Justiça e professor influente da Universidade de Brasília) tinha arrumado - sem eu pedir - um emprego para mim no Departamento de Direito da UnB. Cargo de 'supervisor B 1'. Eu não tinha idéia do que fosse.
Bastava levar os documentos, a carteira profissional, a contratação era imediata. O salário era igual ao que eu recebia como repórter do jornal O Globo, que pagava muito bem. De um dia para o outro, eu tinha dobrado o meu salário, isto é que era boa notícia.
Mas a coisa era ainda melhor do que parecia. Não tinha ninguém para controlar a minha freqüencia. Eu deveria aparecer lá no departamento pela manhã, sentar numa escrivaninha, e sei lá, organizar um armário ou separar papéis em pastas. Eu não sabia sequer distinguir entre redação técnica de um ofício e um requerimento. Não sabia nem mesmo datilografar, repórter, em geral, é 'catilógrafo'. Eu sou.
A verdade é que aquilo era 'emprego', não era trabalho. No primeiro mês, eu ainda fiz jogo de cena. Depois, comecei a aparecer por lá cada vez menos. Quando eu aparecia, não tinha o que fazer. Pior era ter que acordar cedo, o expediemte, em tese, era pela manhã. Ora, toda noite, depois do jornal, eu ia para festas, gostava de dançar, adorava a noite. Eu pensava: 'é bom, mas não presta'.
A gota d'água e a desculpa que eu precisava para cair fora foi ouvir certo dia, o 'direitista' Paes Landim, que dirigia o Departamento de Direito e era amigo do reitor da UnB, o capitão de mar-e-guerra, José Carlos de Almeida Azevedo, dizer a um grupo de pessoas, referindo-se a mim: "Esta é gente nossa". Eu, uma comunista, de esquerda, que era contra a ditadura?! Era demais.
Não durou dois meses, larguei o emprego. Nem o terceiro salário eu fui buscar. Até hoje, tenho a anotação na carteira de trabalho, sem baixa. Certamente, meus amigos não aprovariam eu ter largado a 'boca', nem entenderiam eu ter aberto mão daquela grana. Ora, que eu não fosse trabalhar. Era só ir buscar o dinheiro no fim do mês, eu não era a única que faria isto.
Eu, hem? Caí fora.
(Dá outro post contar a farra de jornalistas com viagens e hospedagem em hotéis de luxo, às custas da cota de passagens de parlamentares (de novo, da Arena, de preferência) e mordomias de órgãos e governos estaduais. Eu mesma passei um feriado de rainha em Olinda e Recife, nos 'anos de chumbo' Se era assim na época da ditadura, imagina o que aconteceu depois: todos os cargos nos serviços de comunicação social, assessoria de imprensa e relações públicas do Executivo, Legislativo, Judiciário, ministérios e autarquias foram ocupados 'pelas vítimas dos anos de chumbo'.
Isto é o que Millor quis dizer com a frase "Eles não estavam fazendo revolução, estavam fazendo investimento". Isto não é sobrevivência, é vidão. Todos nós sabemos quanto ganham os coleguinhas na Câmara e Senado e adjacências.
Tudo gente de esquerda.
Este papo de exigir diploma para jornalista é para a manutenção das madrassas em que se transformaram as faculdades de Comunicação. É para a formação de militantes, de gentinha de esquerda que entope as redações vomitando os clichês anticapitalistas e anti-cristãos de quem nunca leu três livros na vida(livro de frei Boff e frei Betto e de Chico Buarque não vale).
Hoje, os 'resistentes e os que sofreram nos porões da ditaduras' na luta pelas liberdades democráticas aplaudem os arreganhos petistas contra a própria imprensa. Só para ficar em dois exemplos:
Este papo de exigir diploma para jornalista é para a manutenção das madrassas em que se transformaram as faculdades de Comunicação. É para a formação de militantes, de gentinha de esquerda que entope as redações vomitando os clichês anticapitalistas e anti-cristãos de quem nunca leu três livros na vida(livro de frei Boff e frei Betto e de Chico Buarque não vale).
Hoje, os 'resistentes e os que sofreram nos porões da ditaduras' na luta pelas liberdades democráticas aplaudem os arreganhos petistas contra a própria imprensa. Só para ficar em dois exemplos:
Romário Schettino, ex-presidente do Sindicato de Jornalistas do DF, quer um Conselho de Comunicação, o outro nome da censura. E o doublè de professor da UnB e âncora da TV Câmara, jornalista Paulo José da Cunha, escreveu um artigo mostrando como Franklin Martins é mal-compreendido e tão bonzinho. Quase chorei.
O dono das Organizações Globo, Roberto Marinho, foi trouxa. Protegeu, empregou no jornal e na televisão e pagou regiamente todos os comunistas do Brasil (including me), na época da ditadura. Agora, a cambada esquerdopata quer acabar com a Globo.
Ora, vão para Cuba!
* O título do artigo foi "expropriado' de um comentário de Olavo de Carvalho, em seu programa semanal True Outspeak:
http://www.youtube.com/watch?v=_duhmayGV9g
http://www.youtube.com/watch?v=_duhmayGV9g
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