Dificuldade para montar palanques com o partido aliado será maior do que o governo imaginava, principalmente em Estados de peso como Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará
Gabriel Castro, de Brasília

O vice-presidente da República, Michel Temer, durante a convenção nacional do PMDB (ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO)
O placar da convenção do PMDB que decidiu pelo apoio à reeleição de Dilma Rousseff foi mais apertado do que se imaginava. O comando peemedebista esperava 70% de aprovação à renovação da aliança com o PT no plano federal. Após a apuração, o presidente do PMDB, Valdir Raupp, chegou a anunciar 69,7% pelo "sim". Porém, refeitas as contas, a proporção caiu para 59% – quando consideradas as abstenções, o número vai a 54%. Um cenário bem mais desfavorável que o de 2010, quando quase 85% chancelaram a aliança.
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Na eleição, Dilma vai ter todo o tempo do PMDB de propaganda eleitoral no rádio e na TV – cerca de dois minutos e meio – e a lealdade dos principais caciques do partido, como José Sarney e Renan Calheiros. Mas o resultado da votação desta terça é prenúncio de problemas para Dilma em alguns Estados, como Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará, cuja densidade eleitoral pode ser decisiva. A divisão no partido só não é mais evidente por causa do comando de Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB.
"Ele sabe desarmar os espíritos", afirmou Dilma, que só compareceu ao local da Convenção Nacional após a divulgação do resultado da contagem.
A petista ainda enfatizou a importância dos aliados, que têm a maior bancada do Senado (20 cadeiras) e a segunda maior da Câmara (73), atrás apenas do PT. "Eu preciso do PMDB. Sejamos nós cada vez mais parceiros e irmãos nessa luta que se avizinha", disse. À imprensa, com o semblante pouco convincente, Dilma garantiu que o resultado era uma "consagração".
Durante o dia, a divisão de forças no PMDB ficou clara. Uma carta distribuída na pela ala rebelde durante a convenção criticava o tratamento dado pelo governo petista ao PMDB: "Nos últimos anos PMDB foi preterido, desprezado, tratado como mero apêndice do PT", dizia o texto. Michel Temer chegou a afirmar que, se a aliança fosse aprovada com 51% dos votos, seria ótimo.
O apoio ao PMDB em um momento de fragilidade do governo não vai sair de graça. O partido está certo de que vai ter mais cargos em um eventual segundo mandato de Dilma. "Nós teremos no próximo governo uma participação muito efetiva do PMDB. Nós não seremos apenas aliados, nós seremos o próprio governo", disse Michel Temer.
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