Com "novo PAC", governo prepara
pacote de estímulo à construção civil
Segundo avaliação do Planalto, setor, que
cortou 500 mil vagas em 2015, tem a capacidade de gerar postos de trabalho mais
rapidamente que outros grandes empregadores
O número de vagas de trabalho
cortados na construção civil em 2015 foi o mais alto da história (Reinaldo Canato/VEJA.com)
Para tentar reverter o pessimismo
apontado pelos indicadores econômicos, a presidente Dilma Rousseff planeja
apresentar ainda neste mês medidas e propostas que ajudem a retomar o
crescimento e animar a economia, mas sem abandonar o ajuste fiscal que desde o
início do segundo mandato tenta implementar.
O plano já é tratado no Palácio do
Planalto como uma espécie de "novo PAC" e tem como prioridade
estimular o setor de construção civil.
A expressão "novo PAC" faz
referência ao Programa de Aceleração do Crescimento, criado em 2007 pelo então
presidente Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia.
Posteriormente,
o PAC foi usado para ajudar a eleger a então ministra da Casa Civil Dilma
Rousseff à presidência da República.
Para o Planalto, a escolha pela construção
civil deve-se à capacidade do setor de, uma vez estimulado, reagir mais
rapidamente e, com isso, criar empregos.
O setor foi o que mais eliminou postos
de trabalho em 2015, com cerca de 500.000 demissões - o pior resultado da
história.
Entre as principais demandas das
empresas de construção civil para voltar a crescer estão a retomada de projetos
como a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida e a quitação de obras já
executadas.
Há atrasos de até quatro meses no pagamento a empresas contratadas
pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia
que gerencia mais de 1.000 contratos ativos e é dona do maior orçamento
liberado pelo governo.
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Estimular esse setor e, com isso, dar
novo fôlego à economia, casa com a agenda política de 2016.
A presidente
enfrentará na volta do recesso parlamentar, em fevereiro, um processo de
impeachment e há a avaliação no governo e no PT de que é preciso agir o mais
rapidamente possível para evitar uma grande derrota nas eleições municipais, em
outubro.
A resposta seria um plano para tentar conter a alta do desemprego e
reduzir a força do discurso oposicionista de que o partido é o maior
responsável pela crise econômica.
Isso explica por que nos últimos dias
alguns ministros têm admitido em público erros na condução econômica e, ao
mesmo tempo, defendido Dilma do impeachment.
Nesta segunda-feira, pelo Twitter
e pelo Facebook, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que o governo
não apenas reconhece os erros que cometeu na economia como está trabalhando
para resolvê-los.
"Temos plena consciência de
alguns erros que cometemos e das dificuldades que precisamos vencer na
economia, mas impopularidade não é crime", escreveu o ministro.
"É um
defeito, um problema que vamos seguir trabalhando para resolver."
(Com Estadão Conteúdo)
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