Apps de lanterna no Android exigem um número absurdo de permissões
Acesso a áudio, contactos,
localização, mensagens e muitos outros fazem parte das permissões pedidas por
muitas aplicações de lanterna do Android na altura da instalação. Um especialista
da Avast Security mostra porque é que não faz sentido.
O alarme gerado pela aplicação FaceApp nos
últimos meses pode ter colocado em alerta muitos utilizadores do sistema
operativo Android, confrontados com a possibilidade das apps poderem estar a
recolher dados para fins maliciosos. Apesar de considerar que este não era o
caso, e que app Russa não parece ter más intenções, Luis Corrons, um
evangelizador da Avast Security, decidiu lançar luz sobre um outro
problema: as aplicações de lanterna para Android.
Segundo uma publicação do investigador, a
maioria destas aplicações exige um número absurdo de permissões de acesso a
funcionalidades do smartphone, desde a possibilidade de consultar contactos,
editá-los, mudar permissões do Bluetooth, processar chamadas, enviar SMS e
gravar áudio. Em média, nas 937 apps analisadas, são pedidas 25
autorizações antes da instalação da aplicação. As mais "exigentes"
pedem até 77 autorizações de acesso.
Apesar de o Android trazer já pré instalada uma
aplicação de lanterna, que pode ser ativada pelos utilizadores ligando o flash
do telefone, esta parece ser uma categoria muito popular. E permissiva a
intenções menos claras. Das 937 apps identificadas, sete foram referidas como
maliciosas, enquanto as outras foram consideradas excessivamente invasivas.
Luis Corrons refere que, na
verdade, uma aplicação de lanterna precisa de muito poucas coisas para
funcionar e que isso torna ainda mais estranho as exigências. Quase metade das
aplicações de lanternas só pedem cerca de 10 permissões, mas da lista identificada
pelo investigador da Avast, 262 querem acesso a mais de 50 funções do
smartphone. E a Ultra Color Flashlight e a Super Bright
Flashlight são as recordistas, pedindo acesso a 77 funções.
Num post no blog da Avast, o investigador lembra que
algumas das permissões pedidas, como KILL_BACKGROUND_PROCESSES, são muito
poderosas e podem ser usadas para intenções mais maléficas, como desligar as
aplicações de segurança que filtram o tráfego ou os acessos de malware. Mas
também podem ser usadas para reduzir o consumo de bateria e fazer com que a app
possa ser usada durante mais tempo.
Em alguns casos o pedido de acesso a permissões do
smartphone pode ser feito para partilha de dados com outros parceiros que vão
usar a informação para vender, sobretudo dados de utilização e contactos.
Luis Corrons lembra que verificar as permissões
das apps antes de as instalar é uma medida
recomendável. E que se os utilizadores não se sentem confortáveis com as
exigências não devem fazer a instalação das apps.
Devem ser ainda verificadas as políticas de
privacidade que dão uma visão sobre a forma como os dados vão ser utilizados
mas que a maioria dos utilizadores não lêem, ou que se tornam quase inúteis por
não serem claras e remeterem para documentos de outros parceiros, tornando a
sua avaliação muito difícil e complexa.
"Há uma grande zona cinzenta quanto a apps como
estas, e por isso não as marcamos todas como maliciosas. Apesar de pedirem um
número absurdo de permissões, não levam a cabo ações maliciosas e estão a pedir
autorização aos utilizadores", refere. Mais ainda assim, Luis Corrons
afirma que isso não significa que sejam totalmente inocentes ou que outros
parceiros não estejam a recolher dados.

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