ELEIÇÕES EM ISRAEL ◘ NETANYAHU PERDEU A ELEIÇÃO EM ISRAEL, E OS PALESTINOS PERDEM, IMPORTA QUEM GANHE.

Situação indefinida após as eleições de Israel acontecerem, sem que nenhum partido conseguisse obter a maioria de 61 cadeiras no parlamento israelense (Knesset). O atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu poderá inclusive ser preso por crimes de suborno e corrupção pelos quais ele já foi condenado. Os outros dois blocos, de Avigdor Lieberman (ex ministro da defesa de Netanyahu) e o principal líder da oposição Benny Gantz, do Partido Azul e Branco, também não tem condições de formar um gabinete de governo, uma situação que obrigará a formação de uma coalizão. 
Tradução, edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch
Netanyahu perdeu a eleição em Israel, e os palestinos perdem, não importa quem ganhe
Por George Galloway
Diz-se que Vladimir Lenin (URSS) opinou que a única coisa certa sobre as eleições britânicas é sobre quem iria perder. Ele queria dizer que era a classe trabalhadora britânica, que sempre perdias as eleições, porque ela nunca esteve efetivamente representadas no (viciado e elitista) sistema político britânico.
Igualmente, seja qual fosse o resultado das eleições em Israel, os palestinos serão os grandes perdedores de novo e novamente. De acordo com os primeiros resultados preliminares, Netanyahu perdeu a maioria, é claro – por não conseguir alcançar o número mágico de 61 assentos no Knesset.

Israel tem seu rumo indefinido, quando a aposta eleitoral de Netanyahu falhou e ele perdeu as eleições e pode perder seu cargo
Mas os seus oponentes – os palestinos que vivem sitiados em Gaza, sob ocupação na Cisjordânia ou em território arbitrariamente anexado em Jerusalém Oriental – uma anexação que Netanyahu ameaçou ampliar para todo o vale do rio Jordão – não estão em melhor situação.
Também não estão representados os chamados “árabes-israelenses” que se identificam cada vez mais como cidadãos palestinos de Israel e cujo tratamento como “inimigo interno” alcançou seu apogeu no discurso de ódio do Likud sobre eles. Esse discurso de ódio baniu-os brevemente do Facebook na semana passada.
Nem a última eleição é a palavra final sobre o assunto – esta é a segunda eleição em cinco meses em Israel – e o fato de que ninguém parece ganhar a maioria verá a atenção rapidamente voltada para os acordos políticos para formar um governo de coalizão. E para os palestinos esse é o principal perigo.
O “rei” mais óbvio nas negociações é o ex-ministro da Defesa de Netanyahu, Avigdor Lieberman, cujo furioso desentendimento e saída da coalizão com Bibi provavelmente levou a essa segunda eleição inédita em Israel. Ninguém realmente sabe sobre o que realmente foi a briga entre os dois homens (além de serem ambos dois superegos sionistas), mas a afirmação aproximada da causa foi a dependência do governo de Israel das comunidades ultraortodoxas e de seus membros do Knesset (o parlamento israelense).
Lieberman, no que diz respeito ao mundo, é um extremista perigoso e até raivoso. Mas seu partido Yisrael Beiteinu é vigorosamente secular e assegura seus votos dos nacionalistas seculares, muitos são judeus oriundos da antiga União Soviética.
Se é possível imaginar alguém menos interessado na paz – pago pela justiça – para os palestinos do que Netanyahu, então Lieberman é esse homem. Com quase todos os votos contados, seu partido ganhou novos assentos no Knesset. Lieberman afirmou que foi impedido por um “moderado” Netanyahu de incinerar toda a Faixa de Gaza, que ele claramente – e não apenas em particular – deseja limpar da ocupação palestina do mapa.
Lembre-se de que o provável “rei”, o principal líder da oposição Benny Gantz, cujo Partido Azul e Branco parece ter conquistado novos assentos no parlamento. Ele também é declaradamente secular, de modo que a base de um acordo com Lieberman é óbvia.
Um novo governo de coalizão nacionalista radicalmente secular e comprometido com políticas punitivas severas e racistas contra os palestinos ou seja, mais do mesmo, em substituição a um governo “liderado” por Benjamin Netanyahu. Faça a sua escolha e todos os resultados será mais sangue derramado na região.
A campanha de Gantz concentrou-se na necessidade de processar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por crimes de suborno e corrupção pelos quais ele já foi condenado.
Portanto, uma Grande Coalizão Nacional – que desfrutaria de uma maioria confortável no Knesset e, relativamente falando, uma aceitação internacional justa – entre o partido Azul e Branco e o Likud só seria possível se o Likud abandonasse Netanyahu. Minhas apostas está nesse resultado e Washington aconselha e deseja que assim seja.
Desprotegido não mais como primeiro-ministro, como outros primeiros-ministros e presidentes de Israel (presos) antes dele, Benjamin Netanyahu provavelmente estará indo para a prisão ou para um asilo em Moscou. Mas a situação do eterno conflito no Oriente Médio caminha para um impasse nas negociações entre judeus e palestinos e o barril de pólvora poderá explodir de vez na região …
George Galloway foi membro do Parlamento Britânico por quase 30 anos. Apresenta programas de TV e rádio (inclusive na RT). É escritor de cinema e palestrante de renome internacional.

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