



Governo
avalia autorizar congelamento do salário mínimo
Para o ano que vem, o governo prevê que o reajuste levará o
mínimo de R$ 998 para R$ 1.039
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Economia
estuda um mecanismo para autorizar o congelamento do salário mínimo em
situações de aperto fiscal.
A ideia é retirar da Constituição a obrigatoriedade
de que o valor seja corrigido pela variação da inflação. A medida seria incluída
na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que altera regras fiscais e está em
tramitação no Congresso.
De
autoria do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), o texto está na CCJ (Comissão de
Constituição e Justiça) da Câmara e é debatido por um grupo de parlamentares,
representantes do Ministério da Economia e técnicos de Orçamento no Congresso.
A
proposta traz gatilhos que seriam acionados em situações de risco de
descumprimento de regras fiscais.
A versão original da matéria não prevê o
congelamento do salário mínimo, mas o governo articula a inclusão desse novo
gatilho no texto.
A
regra que viabilizava reajuste do salário mínimo acima da inflação deixou de
valer neste ano.
Agora, a nova mudança iria além, permitindo o congelamento do
mínimo, sem reposição da inflação.Pedo Paulo confirma que a previsão é uma
proposta do Ministério da Economia. Para o deputado, entretanto, antes de
qualquer iniciativa desse tipo, o governo deveria se empenhar na defesa
da proposta.
"Enquanto o governo não se manifestar claramente a favor
da PEC, não tem que ficar discutindo colocar mais medidas", disse.
A
Constituição define que o salário mínimo deve ter reajustes periódicos que lhe
preservem o poder aquisitivo.
Com a
medida estudada pelo governo, essa previsão deixaria de existir. O congelamento
do salário mínimo seria permitido para ajudar no ajuste fiscal por um período.
Uma das hipóteses é que o valor fique travado por dois anos.
Como
o governo tem gastos atrelados ao salário mínimo, como as aposentadorias, a
medida traria alívio ao Orçamento.
Hoje, para cada real de reajuste do piso
salarial do país, a União amplia suas despesas em R$ 300 milhões.
Para
o ano que vem, o governo prevê que o reajuste levará o mínimo de R$ 998 para R$
1.039. O aumento leva em conta apenas a inflação.
Caso,
por exemplo, o governo congelasse o valor atual, a economia aos cofres públicos
no ano que vem seria de R$ 12,3 bilhões.
A
proposta vai em linha com a defesa do ministro Paulo Guedes (Economia) de
retirar amarras do Orçamento.
O ministro argumenta que as contas públicas têm
excesso de gastos obrigatórios, vinculados e indexados.
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