
Se a proposta da senadora fosse acatada, não apenas os partidos, mas também os candidatos seriam beneficiados com regras mais brandas de punições e fiscalização
Asenadora Juíza Selma (PSL-MT) apresentou uma emenda
ao projeto de lei dos partidos que abria brecha para beneficiá-la em processo
eleitoral que pode resultar na cassação do seu mandato. Após ser questionada
pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre a inclusão, a senadora recuou e retirou
a sugestão da emenda.
Se a
proposta da senadora fosse acatada, não apenas os partidos, mas também os
candidatos seriam beneficiados com regras mais brandas de punições e
fiscalização pela Justiça Eleitoral. Os candidatos, por exemplo, poderiam
refazer suas prestações de contas enquanto eventual processo contra eles não
tiver sido julgado em última instância.
A
senadora teve o mandato cassado pelo TRE do Mato Grosso por suspeita de caixa 2
no valor de R$ 1,2 milhão na última campanha eleitoral. O caso, porém, ainda
não foi julgado pelo TSE, o que permite que ela continue exercendo o mandato.
Na semana passada, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, chegou
a dar parecer pela cassação da senadora - que é juíza aposentada e se elegeu
com a alcunha de "Moro de saias".
'Sem
sanção'
A
reportagem consultou dois advogados, dois procuradores eleitorais e um
especialista em contas partidárias sobre a emenda proposta pela senadora. Todos
disseram que, da forma como foi a apresentada, a emenda poderia favorecê-la,
uma vez que as novas regras alcançariam contas já prestadas, mas que ainda não
tiveram julgamentos encerrados. Uma autoridade a par do processo, sob condição
de anonimato, traduziu: "É como se tudo que fosse considerado caixa 2
pudesse ser incluído como caixa 1 'sem cominação de sanção a partido ou
candidato'".
Selma
negou que a mudança teria impacto no processo que responde no TSE. Segundo a
assessoria de imprensa da ex-juíza, ela havia sugerido a inclusão da emenda "com
o objetivo de dar um sentido geral ao texto". A deputada afirmou, ainda,
que o fato de apresentar uma emenda não significa concordância com o conteúdo
do polêmico projeto de lei. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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