GENÉTICA ◘ DESCOBERTA GENÉTICA PODE SER A NOVA ARMA CONTRA A DENGUE.

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue visto na região da Lapa, zona oeste de São Paulo (SP) - (23/04/2014)
Popularmente conhecido como mosquito da dengue, o Aedes aegypti também 
é vetor de outras doenças graves, como febre amarela, febre zika e chicungunha.
(André Lucas Almeida/Futura Press/VEJA)
 A modificação de um gene do Aedes Aegypti transforma 

fêmeas em machos inofensivos  Por: Gabriela Neri

Especialistas do Instituto Fralin de Ciências da Vida, da Universidade Virginia Tech, fizeram uma descoberta que pode ser a nova forma de combate à dengue. 
Eles identificaram o gene responsável pela determinação do sexo nos mosquitos, nomeado como Nix, que antes estava oculto no genoma dos insetos.
Ao injetar o Nix em embriões, cientistas observaram que mais de dois terços dos mosquitos fêmeas desenvolveram genitais masculinos. 
Já quando o Nix foi retirado de indivíduos adultos, por meio de uma edição do genoma dos mosquitos, os machos desenvolveram genitais femininos.
Popularmente conhecido como mosquito da dengue, o Aedes aegypti também é vetor de outras doenças graves, como febre amarela, febre zika e chicungunha. 
São, porém, apenas as fêmeas da espécie que ameaçam a saúde, já que só elas precisam picar para conseguir sangue para o desenvolvimento dos ovos. 
Assim, cientistas acreditam que um aumento na quantidade de machos, inofensivos, reduziria a transmissão de doenças.
Mas os pesquisadores ainda não sabem se o mosquito, mesmo modificado, continuará picando. 
"Ainda não podemos firmar se é ou não a genitália masculina que os impede de picar. 
Esperamos que, no futuro, quando inserirmos o gene Nix no genoma do mosquito fêmea, todas as células, incluindo as glândulas salivares, se tornem masculinas. 
Assim, eles não terão as partes necessárias para a alimentação de sangue", contou Jake Zhijian Tu, professor de bioquímica no Instituto Fralin e um dos autores do estudo. 
Em resumo, não vão mais picar e transmitir doenças.
LEIA TAMBÉM:
Só no Brasil, de janeiro a 9 de maio de 2015, o Ministério da Saúde relatou 846 000 casos de dengue, um aumento de 155% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo 207 vítimas fatais. 
Para combater o Aedes aegypti, o país adotou algumas medidas, como a inserção de bactérias Wolbachia no genoma da espécie, para evitar o desenvolvimento da doença, e a liberação de mosquitos machos transgênicos que copulam com as fêmeas e produzem uma prole que não atinge a idade adulta.
Para Zhijan, o Brasil vem fazendo um ótimo trabalho. 
"A liberação de mosquitos transgênicos é bem importante. 
Esperamos que a nossa descoberta possa melhorar a eficiência. Queremos alcançar a plena conversão do sexo feminino para o masculino. 
Nossa técnica é duas vezes mais rentável que as estratégias genéticas atuais, já que elas só utilizam metade dos mosquitos criados, pois as fêmeas são descartadas. 
Além disso, o que fazemos agora, a separação de machos e fêmeas, é um processo caro e demorado", declarou o professor.
Originário da África, o Aedes Aegypti espalhou-se pelo mundo a bordo de navios durante as viagens no século XVIII. 
Por ser bem adaptada aos ambientes urbanos e ser vetor de doenças sérias, a espécie é tratada como questão de saúde pública. 
De acordo a Organização Mundial de Saúde, o número de casos de dengue vem aumentando nas últimas décadas: são 390 milhões de novas infecções por ano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

MARCO RUBIO DECLAROU QUE BRASIL JÁ NÃO FAZ PARTE DA LISTA DE "PAISES AMIGÁVEIS" AOS 'EUA'

  Publicado em 02 de junho de 2026 Por Claudio Dantas Marco Rubio  declarou que já não fazemos parte da lista de ‘países amigáveis’ aos EUA...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS