Nos últimos dias vieram à luz duas delações
premiadas que envolvem Dilma diretamente em atos de corrupção
A teimosia, a arrogância, a
prepotência, a incapacidade de se expressar com clareza e, sobretudo, a
monumental incompetência política são atributos pessoais que Dilma Rousseff
jamais conseguiu dissimular.
Mas, pelo menos até recentemente, a presidente da
República afastada conseguia cultivar com algum sucesso certa aura de
probidade, de honestidade no trato da coisa pública. Pensou reforçar essa
imagem insistindo na irrelevante alegação de que nunca possuiu conta no
exterior.
A imagem
dessa figura moralmente imaculada começa a ruir com revelações de que seu
comportamento na vida pública não difere daquele de figuras que estão
envolvidas até o pescoço nas investigações da Operação Lava Jato e congêneres.
Para quem acompanhou a trajetória política e administrativa da presidente
afastada, isso não chega a surpreender.
Nos
últimos dias vieram à luz duas delações premiadas que envolvem Dilma
diretamente em atos de corrupção.
Nestor Cerveró afirma que “Dilma Rousseff
tinha todas as informações sobre a Refinaria de Pasadena”, cuja compra em
condições suspeitas causou prejuízo de cerca de U$ 800 milhões à Petrobrás.
Segundo o ex-diretor da estatal já condenado por corrupção, a presidente
afastada “acompanhava de perto os assuntos referentes à Petrobrás”. Garante ainda
o depoente que Dilma “sabia que políticos do PT recebiam propina oriunda da
Petrobrás”.
Em outra
delação, esta revelada pela revista Época, o empresário Benedito Oliveira Neto,
conhecido como Bené, afirma que em 2014 e 2015 o Palácio do Planalto desviou, para
pagamento à agência de publicidade Pepper, cerca de R$ 45 milhões relativos à
campanha presidencial de 2010. Essa negociação teria sido intermediada por um
assessor da então presidente, Giles Azevedo.
Bené está preso em decorrência das
investigações da Operação Acrônimo, que apura irregularidades cometidas em 2014
na campanha eleitoral do governador mineiro Fernando Pimentel.
Muitos
outros fatos apontam para a possibilidade – para dizer o mínimo – de Dilma
Rousseff, por ação ou omissão, estar envolvida em episódios suspeitos.
É o caso
de sua relação estreita com seu ex-marqueteiro João Santana, que manipulava os
recursos das campanhas presidenciais de 2010 e 2014 e está encrencado na Lava
Jato, acusado de receber propina da Odebrecht e de lavagem internacional de
dinheiro.
Dilma
Rousseff esteve por mais de cinco anos à frente de um dos governos mais
corruptos que, comprovadamente, este país já teve.
No período, quando foram
aperfeiçoadas as práticas experimentadas no mensalão, a corrupção foi elevada à
condição de método político pelo PT.
No início de seu primeiro mandato, Dilma
até tentou fazer uma “faxina” no primeiro escalão do governo, demitindo quase
uma dezena de ministros.
Menos de um ano depois ela já tinha aderido ao
“pragmatismo” de seu mestre Lula e se tornado cúmplice das maracutaias
petistas.
Com esse histórico, fica difícil aceitar que Dilma seja “uma
presidenta honesta”, como diz seu esforçado advogado de defesa. Afinal, há
formas de desonestidade diferentes de embolsar dinheiro alheio.
A desonestidade
intelectual é uma delas. É compreensível que Dilma esteja disposta a “lutar até
o fim” na defesa de seu mandato.
Mas, quando apresenta como única e verdadeira
razão para seu impeachment a tentativa de seus inimigos de “acabar com a Lava
Jato”, a presidente afastada se outorga um diploma de falsa esperteza que
pessoas visceralmente honestas recusariam.
É evidente que muitos dos políticos
que compõem hoje o governo provisório de Michel Temer têm o rabo preso na Lava
Jato. Afinal, eles fizeram parte do governo Dilma – e até do governo Lula.
Mas
quem também tem grande interesse em “acabar” com as investigações de corrupção
são Lula e a tigrada do PT, que forçaram Dilma a afastar da Justiça o então
ministro José Eduardo Cardozo, acusado de ser “frouxo” no controle de uma
Polícia Federal a ele “subordinada”.
Cometer a imprudência de subestimar o
discernimento dos brasileiros é sintoma de descontrolado desespero.
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