Em entrevista para o programa “Pânico
no Rádio”, a atriz Alessandra Maestrini denunciou formas de censura que teriam
sido praticadas pela administração do Partido dos Trabalhadores, com uso das
publicidades estatais para chantagem contra veículos de comunicação que
porventura divulgassem gravações com teor contrário aos objetivos da
agremiação.
De acordo com Maestrini, a prática tinha aspectos em comum com a
imposição governamental de conteúdos que é feita no regime ditatorial da
Venezuela: ela explica que “há em comum uma tentativa de controle, por parte do
governo, ou de derrubar veículos de comunicação – e isso eu sei através de
amigos que faziam programas de comédia, e que não podiam mais falar de
política”.
Alessandra Maestrini acrescenta que
“algumas pessoas foram demitidas por isso, e houve programas que acabaram, por
ordem do governo.
Uma das estratégias usadas pela antiga administração era a
retirada de patrocínio [por meio de publicidades das grandes companhias
estatais, como a Petrobras].
Pessoas do governo ligavam e ordenavam: ‘demitam,
cancelem o programa'”.
A atriz foi questionada se a prática foi adotada pelo
governo do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva ou da petista Dilma
Rousseff:
Maestrini afirma que “isso aconteceu durante o governo Dilma, que
também era fortemente influenciado por Lula”.
Na opinião de Alessandra, o último
governo se destacou mais pela agressividade da censura – ela testemunha, em seu
relato, que “nesse último governo, nos últimos tempos, houve grupos organizados
entre pessoas do meio artístico, para discussão de temas em política, no qual
havia, eventualmente, pessoas interessadas em gravar vídeos convocando pessoas
para manifestações contra o governo.
Vídeos foram gravados, mas houve situações
onde as emissoras vinham até nós – entre essas emissoras, estão as três maiores
do país – e pediam a remoção dos vídeos, por pressão do governo.
Representantes
do Estado entraram em contato e ameaçaram ‘acabar com as emissoras'”.
Representantes da oposição denunciam
estratégia semelhante praticada contra artistas que disputam conseguir recursos
através da Lei Rouanet – sistema de renúncia fiscal que possibilita o
financiamento de iniciativas de cunho artístico.
Outros oposicionistas afirmam
que as publicidades estatais são fortes mecanismos de controle de órgãos de
imprensa – através da veiculação ou não de propaganda governamental, como
chantagem – e mesmo de financiamento de sites ou periódicos com ideologias
simpáticas, no caso do último governo, à do Partido dos Trabalhadores.
Um caso
que ganhou repercussão foi o da jornalista Joice Hasselmann, que teria sido
demitida imediatamente após publicar uma severa crítica à crise econômica
fomentada pela má-administração do governo socialista de Dilma Rousseff – a
jornalista alega que sua demissão foi ordenada a partir dos mais altos postos do
Poder Executivo e da liderança do Partido.
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