Quem não tem óvulos saudáveis poderá, em um futuro próximo, ter filhos fertilizando uma célula comum do corpo – como da pele – com o material genético masculino. De acordo com um estudo recém-publicado, um óvulo não será mais necessário para ter filhos.
Assim, casais homossexuais poderão ter um bebê unindo uma célula comum de um pai com o espermatozoide do outro pai.
Ou um homem solteiro poderá fazer o mesmo com suas próprias células, sem a necessidade do material genético de uma segunda pessoa.
Mulheres inférteis também poderão ter filhos biológicos com o gameta masculino.
É claro que em todos os casos é necessário que o embrião gerado seja implantado no útero da mulher que vai gerar o bebê.
Bebês ratos

Um trabalho publicado na revista Nature Communications nesta terça-feira (13) relata a experiência de sucesso em que ratos são criados sem a tradicional fusão entre óvulo e espermatozoide.
Os cientistas da Universidade de Bath (Reino Unido) utilizaram um óvulo não fertilizado no experimento. Com a ajuda de substâncias químicas, este óvulo foi "enganado" para se tornar um pseudo-embrião.
Esses embriões falsos compartilham muitas características com células comuns, como as da pele, na forma em que se dividem e controlam o seu DNA.
Os pesquisadores acreditam que se é possível injetar espermatozoides nestes pseudo-embriões para gerar bebês saudáveis, então um dia pode ser possível fazer o mesmo com células humanas comuns.
Até agora, porém, estes pseudo-embriões morriam poucos dias depois de sua formação. Com a ajuda de um sal chamado cloreto de estrôncio, foi possível manter o pseudo-embrião vivo, para que o material genético do espermatozoide fosse injetado e dali surgisse um embrião verdadeiro.

No experimento com ratos, a união entre o pseudo-embrião e o gameta masculino resultou em 25% de sucesso de gestação.
"Esta foi a primeira vez que foi possível unir esperma com algo que não é um óvulo para resultar em descendentes", aponta Tony Perry, um dos pesquisadores.
"Isso revoluciona 200 anos de pensamento científico".
A ideia de que a única forma de gerar mamíferos é através da união entre óvulos e espermatozoide existe desde 1827, desenvolvida pelo biólogo Karl Ernst Ritter von Baer.
Os bebês ratos gerados neste processo nasceram e cresceram de forma saudável, e até tiveram seus próprios filhos de forma tradicional.
Novos tratamentos
A pesquisa não deve ser aplicada em seres humanos tão cedo, mas os conhecimentos tirados dela podem trazer novas ideias para o tratamento da infertilidade humana.

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