A ex-presidente resolveu deixar o convite ‘na geladeira’, e não tocou no assunto em nenhuma de suas declarações públicas. O tom de descaso adotado por Dilma se deve ao fato de que o partido a abandonou aos leões durante o processo do impeachment. A ardorosa defesa feita pelos senadores da chamada “Bancada da Chupeta” eram apenas pretextos para aparecerem bem no documentário filmado pela petista Petra Costa. Nos bastidores, o PT preferiu abandonar Dilma e investir no discurso do golpe para ter munição até 2018. Foi Rui Falcão o primeiro petista a rejeitar publicamente a proposta de plebiscito por novas eleições defendida por Dilma.
A avaliação do partido é que a situação do país era muito negativa, e Dilma não iria conseguir reunir apoio político para corrigir os problemas que ela própria provocou. Também não conseguiria apoio para governar após ter chamado o Congresso de golpista. No início, Dilma concordou com a narrativa do PT. A presidente só decidiu adotar a estratégia das novas eleições após perceber que poderia ser presa depois de perder o mandato de presidente.
O golpe que manteve os direitos políticos de Dilma veio no sentido de oferecer uma saída para Dilma, que uma vez presa pode até fazer uma delação premiada. Para evitar o prejuízo, os golpistas deixaram para Dilma a possibilidade de se refugiar de Sérgio Moro em algum governo estadual petista.
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