
Um novo estudo
liderado por pesquisadores da Universidade de Montreal (Canadá) pode desafiar a
teoria da evolução estelar.
Suas descobertas transformam nossa
compreensão sobre a fase final do ciclo de vida de uma estrela, um tipo de
remanescente muito comum – a anã branca.
Um artigo detalhando os achados foi publicado na
prestigiada revista Nature.
O objeto de estudo
A principal autora do estudo é Noemi
Giammichele, que completou seu doutorado em 2016 sob a supervisão conjunta de
Gilles Fontaine, professor de física da Universidade de Montreal, e seu colega
Pierre Bergeron, ambos coautores do artigo, juntamente com outros seis
pesquisadores.
“Nós conseguimos mapear o interior de
uma anã branca com precisão, como se a tivéssemos cortado em secções
transversais para estudar sua composição”, contou Giammichele, agora
pós-doutoranda na Universidade de Toulouse, na França.
Anãs brancas são os principais
remanescentes de quase 97% das estrelas no universo. À medida que as estrelas
lentamente morrem, esfriando sob a forma de anãs brancas, elas experimentam
períodos de instabilidade em que vibram. Essas vibrações profundas são a chave
para vermos diretamente no interior desses restos estelares.
A equipe estudou uma anã branca chamada
KIC08626021, que fica a uma distância de 1.375 anos-luz da Terra, e emite luz
pouco visível por telescópios terrestres. O Kepler, no entanto, pode focar nela
durante um período prolongado, resultando em imagens significativamente mais
detalhadas.
Resultados
Acessando o telescópio espacial, os
cientistas puderam examinar de perto essa pequena estrela do tamanho da Terra,
e suas vibrações. O objetivo inicial de Giammichele era verificar uma teoria
sobre esta fase final do ciclo de vida de uma estrela.
A teoria mostrou-se correta, mas as
observações da equipe levaram a uma série de descobertas surpreendentes. Por
exemplo, os pesquisadores notaram que seu núcleo de carbono e oxigênio era duas
vezes maior do que o previsto.
“Esta é uma grande descoberta que nos forçará
a reavaliar nossa visão de como as estrelas morrem”, explicou Fontaine. “Dito
isto, é preciso trabalhar para confirmar se essa observação é válida para
outras estrelas. Pode ser apenas uma anomalia”.
“Devemos tentar reproduzir esses
resultados com outros corpos celestes antes que possamos tirar conclusões”,
completou Giammichele.
Trabalho de uma vida
Em 1978, Fontaine vislumbrou o
potencial para determinar a estrutura interna de uma anã branca pulsante
através de uma sólida compreensão da teoria da evolução estelar.
No entanto, o físico ainda não tinha
acesso a imagens de alta qualidade desses corpos, e ao invés disso criou
ferramentas analíticas e softwares para tentar desvendar o interior dessas
estrelas.
O novo artigo é o quarto que Fontaine
publica na Nature, uma das principais revistas científicas do mundo, e veio
graças ao avanço de Giammichele, mestra em engenharia mecânica, que criou uma
abordagem inovadora para estudar anãs brancas, aplicando métodos utilizados
para calcular a aerodinâmica das asas de um avião para a astrofísica.
A KIC08626021 é a primeira anã branca
pulsante identificada pelo telescópio Kepler, mas cerca de 60 outras já foram
descobertas. “Eu tenho dados suficientes para passar os próximos 20 anos
analisando-as, uma a uma”, disse Giammichele. [Phys]
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