☼ Centrais sindicais dão ultimato e ameaçam ir à Justiça contra o governo ☼

  Extraído de: PPS  -  13 de Janeiro de 2011
Chico de Gois e Isabel Braga

Presidente da Força Sindical sai de reunião no Planalto fazendo ameaças

BRASÍLIA - O deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), da base aliada do governo, deu um ultimato à presidente Dilma Rousseff.

Ontem, em duas ocasiões, ele cobrou do governo o reajuste da tabela do Imposto de Renda em 6,43% e ameaçou: caso o Palácio do Planalto não chame as centrais sindicais para negociar até segunda-feira, no dia seguinte elas entrarão com várias ações na Justiça pelo país.

Para o deputado, ao não mexer na tabela do Imposto de Renda, o governo está praticando um confisco.

Pela manhã, depois de se reunir no Planalto com o ministro Luiz Sérgio, da Secretaria de Relações Institucionais, Paulinho disse que a pauta de reivindicação das centrais contempla três reajustes: o salário mínimo de R$540 para R$580; 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo; e 6,43% na tabela do Imposto de Renda.

- Se o governo não abrir negociação até segunda-feira, na terça vamos entrar com uma enxurrada de ações no Brasil inteiro.

Para ficar barato para o governo, queremos o reajuste na tabela do IR em 6,43%, que é a inflação do período pelo INPC.

Não é a primeira saia justa imposta pelo PDT. O deputado é do mesmo partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda.

Nesta semana, Lupi contradisse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que anunciara que o governo vetará um mínimo superior a R$540.

Para Lupi, o Congresso é soberano e, caso decida por um mínimo de R$580 - como querem as centrais sindicais -,o governo tem de ceder.

 Dilma não gostou nada da divergência pública.

O deputado disse que anteontem protocolou uma carta com essas reivindicações no gabinete da presidente.

E avaliou que, na votação da medida provisória que fixa o mínimo em R$540, o governo irá perder. Para Paulinho, o "governo está esquisito":

- Dilma está numa redoma e não deixam ninguém chegar perto dela. O governo está começando a ter problema com os movimentos populares.

À tarde, Paulinho voltou à carga, após reunião da bancada na Câmara. Suas críticas foram endereçadas, desta vez, ao ministro Mantega.

- O governo Dilma está mal nessa história. Pôr o Mantega para negociar não dá. Ele não tem jeito para falar com os trabalhadores.

No governo Lula, tínhamos o ministro Luiz Dulci (ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência).

Com o Mantega não dá - afirmou Paulinho, ressalvando que falava como presidente da Força Sindical.

Ele descartou a possibilidade de o mínimo ir só a R$543:

- Não dá nem para tomar duas cachaças. Quer dizer, não dá nem para uma.

À tarde, o deputado mais uma vez ameaçou o governo:

- Se não corrigir a tabela do IR, é confisco do salário dos trabalhadores. Nosso prazo é até segunda-feira.

 Não é corda no pescoço. A presidente Dilma que colocou a corda no pescoço do trabalhador, ao não corrigir.

 Para começar bem o governo, deve corrigir a tabela.
Autor: O Globo

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