Lava-Jato: MPF denuncia
tesoureiro do PT e outras 26 pessoas por corrupção e outros crimes
Ex-diretor de
Serviços da Petrobras, Renato Duque, preso na manhã desta segunda-feira, também
está na lista
POR RENATO ONOFRE, ENVIADO ESPECIAL / TATIANA FARAH
16/03/2015
Procurador Deltan Dallagnol fala, em
Curitiba, sobre detalhes dos indiciamentos -
Renato Onofre / Agência O
Globo
CURITIBA - O Ministério Público Federal (MPF)
ofereceu, nesta segunda-feira, denúncia contra 27 pessoas pelos crimes de
corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Entre eles, o
tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviços, Renato Duque,
que foi preso na manhã desta segunda-feira na décima fase da Operação
Lava-Jato.
De acordo com o MPF, o pagamento de propina foi
feita ao PT através de doações oficiais ao partido. No total, R$ 136 milhões
foram usados para pagamento de propinas. O MPF afirma que foram 24 doações em
18 meses, no valor de R$ 4,26 milhões.
No total, 16 pessoas foram denunciadas pela
primeira vez. Desses, cinco operadores, dois ex-diretores da Petrobras, Duque e
Paulo Roberto Costa, e um ex-gerente, Pedro Barusco.
Denunciados: Adir Assad, Alberto Vilaça, Alberto
Youssef, Ângelo Mendes, Augusto Mendonça, Dário Teixeira, Francisco Perdigão,
João Vaccari Neto, Léo Pinheiro, José Diniz, José Resende, Julio Camargo,
Lucélio Goes, Luiz Almeida, Mario Goes, Marcus Teixeira, Mateus Coutinho, Paulo
Roberto Costa, Pedro Barusco, Renato Duque, Renato Siqueira, Rogério Cunha,
Sérgio Mendes, Vicente Carvalho, Waldomiro Oliveira e Sonia Vranco.
Segundo o MPF, o tesoureiro do PT indicava em que
contas deveriam ser depositados os recursos de propina.
- Vaccari tinha consciência de que os pagamentos
eram feitos a título de propina - afirmou o procurador do MPF Deltan Dallagnol
durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, em Curitiba.
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, voltou a
afirmar, por meio de seu advogado, que não teria recebido propinas das
construtoras contratadas pela Petrobras. Segundo o MPF, as propinas eram
"legalizadas" por meio de doações formais ao partido.
"Embora ainda não se tenha ciência dos termos
da denúncia, torna-se importante reiterar que o sr. Vaccari não participou de
nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal
destinados ao PT. Ressaltamos que causa estranheza o fato de que o sr. Vaccari
não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores,
durante entrevista no dia de hoje, uma vez que ele assumiu essa posição apenas
em fevereiro de 2010", diz a nota assinada pelo advogado Luiz Borges
D'Urso. Segundo o MPF, as transações fraudulentas teriam ocorrido entre 2008 e
2010.
"O sr. Vaccari repudia as referências feitas
por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade. Ele
não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao
PT, pois as doações solicitadas pelo sr. Vaccari foram realizadas por meio de
depósitos bancários, com toda a transparência e com a devida prestação de
contas às autoridades competentes", prossegue o advogado, que completa:
"O sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades para todos os
esclarecimentos necessários, como sempre esteve desde o início dessa
investigação".
A direção nacional do PT ainda não se manifestou
sobre o assunto. O presidente da legenda, Rui Falcão, tem defendido reiteradas
vezes o tesoureiro, chegando a assinar nota pública conjunta com Vaccari para
fazer sua defesa.
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