◘ 85% DO ESFORÇO FISCAL DO GOVERNO SAIRÁ DO BOLSO DOS BRASILEIROS

O ministro da Fazenda Joaquim Levy: diante do atoleiro
O ministro da Fazenda Joaquim Levy: diante do atoleiro
A maioria das pessoas não sabe para que serve o superávit primário - economia de recursos feita pelo governo para manter as contas no azul e garantir um extra que cobre o pagamento da dívida pública. 

Neste ano, porém, todos os brasileiros vão tirar dinheiro do bolso para ajudar nessa economia. Do bolo de recursos que o governo já garantiu para o superávit, 85% são bancados pela população.

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Segundo cálculo do economista Mansueto Almeida, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, as medidas anunciadas pela nova equipe conseguiram reunir até agora R$ 45 bilhões dos cerca de R$ 66 bilhões que fixou como meta para 2015 (o compromisso é fazer o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto do ano). 

Ocorre que apenas R$ 7 bilhões são cortes na máquina pública, basicamente de despesas de custeio, como cafezinho e xérox.


O grosso dos recursos, R$ 38 bilhões, vai sair do orçamento das famílias. 

Uma parte virá da cobrança de tributos, como a volta da Cide nos combustíveis e a mudança no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o fim da desoneração de veículos e a alta na taxa para cosméticos. 

Um estudo da LCA Consultores, encomendado pelas indústrias do setor, concluiu que um simples batom - que pelas estimativas vai subir mais de 12% - dará um quinhão ao ajuste fiscal. 

"Não tinha como ser diferente porque esforço fiscal se faz com corte de gasto ou alta de tributo", diz Mansueto. 

"Ainda assim, o governo terá dificuldades para cumprir a meta."

Para o economista, nem tudo que é esperado virá. 

Os R$ 18 bilhões estimados com as mudanças em benefícios sociais, como pensão das viúvas jovens e seguro-desemprego, devem cair a R$ 3 bilhões. 

Outras despesas, como o Bolsa Família, vão crescer e reduzir os ganhos da medida.
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Contas engessadas - Matematicamente, o superávit primário se dá quando a receita é maior que a despesa (excluindo-se gastos com juros). 

Assim, ele sinaliza que não vai deixar a dívida pública fugir do controle, o que fortalece a confiança dos investidores e gera um ciclo virtuoso na economia.


Para os economistas, após a crise de 2008, a política adotada pelo governo aprofundou as distorções: houve excesso de desonerações e benefícios setoriais, além de outros mecanismos de intervenção na economia que levaram à queda da arrecadação, do investimento e do crescimento. 

"O descontrole dos últimos anos foi grave", diz o economista Marcos Lisboa.

O governo sinaliza que pode cortar ministérios para dar a sua contribuição. A medida, porém, diz o economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria, é "simbólica". 

Os ministérios virariam secretarias. 

Não haveria demissões. 

A conta em pouco cairia. 

Só uma reforma no Estado mudaria o cenário.

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