Meirelles:
pior PIB desde o início do século XX 'não será surpresa'
Ministro da Fazenda diz que crise é a 'mais
intensa da história do Brasil' e que prefere 'prometer menos e entregar mais'
Henrique Meirelles falou a empresários em reunião com o
presidente interino Michel Temer realizada no Palácio do Planalto, em Brasília (Ueslei Marcelino/Reuters)
O
Brasil está vendo hoje um novo discurso e uma nova direção que pretende alterar
o curso da economia brasileira, disse o ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles, ao discursar nesta quarta-feira para empresários no Palácio do
Planalto.
Meirelles acompanhou o presidente interino, Michel Temer, que se
reuniu com mais de 100 representantes do setor para ouvir sugestões a fim de
solucionar a crise econômica.
"Os
senhores ouvem hoje um novo discurso, uma nova direção, que pretende alterar o
curso da economia para termos crescimento, mais oportunidade, maior
produtividade, emprego e renda.
São intenções declaradas por todos os governos,
mas este está tomando medidas concretas, avaliando a crise e buscando um
crescimento sustentável para o Brasil nas próximas décadas", destacou.
Meirelles
admitiu que o Brasil vive a crise econômica mais "intensa" de sua
história. Não será surpresa se o produto interno bruto (PIB), [a soma de todas
as riquezas], for o menor desde o "início do século XX".
Mas destacou
que, após a aprovação de medidas propostas pelo governo ao Congresso Nacional,
será possível retomar o crescimento nos próximos trimestres. Disse, ainda, que
é cauteloso e prefere "a máxima de prometer menos e entregar mais".
"Estamos
vivendo a crise mais intensa da história do Brasil. Vamos esperar, mas não será
surpresa se contração deste ano for a mais intensa desde que o PIB começou a
ser medido, no início do século XX.
É uma crise que gerou 11 milhões de
desempregados. Temos que reverter esse processo", disse.
O ministro
enfatizou que o número de desempregados no país é similar à população de Cuba.
"Temos que reverter esse processo", afirmou.
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Henrique
Meirelles disse, ainda, que diagnósticos equivocadas no passado levaram a
economia à atual situação e que a equipe econômica tem trabalhado para mudar a
situação que levou a erros causando consequências graves, como a intervenção em
preços e medidas que inibiram os investimentos.
Gastos limitados - O ministro criticou também o crescimento
da dívida pública nos últimos anos. Uma das medidas do governo para reverter
essa situação é limitar os gastos públicos, iniciativa já anunciada pelo presidente
interino Michel Temer.
E, mais uma vez, voltou a dizer que a falta de clareza e
o endividamento no atual patamar levaram a uma falta de confiança dos
investidores.
O
ministro da Fazenda prometeu a continuidade das medidas econômicas e disse que
o trabalho da equipe para recuperar a economia é intenso, "dia e
noite".
Meirelles também citou o esforço para resolver as mudanças na
Previdência Social e sanar o déficit do setor.
Ao encerrar o discurso, ele
conclamou os empresários ao trabalho: "Vamos trabalhar, e sucesso a
todos".
(Com Agência Brasil)
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