PF proíbe reportagem da Folha de desembarcar de balsa no Amazonas

04/01/2014 

FABIANO MAISONNAVE, 
AVENER PRADO, ENVIADOS ESPECIAIS A HUMAITÁ (AM
Alegando não ser "babá de imprensa", um agente da Polícia Federal proibiu a reportagem da Folha de desembarcar da balsa que liga a cidade de Humaitá (AM) à rodovia Transamazônica, no início da madrugada deste sábado.

O agente Alvino comandava um comboio para levar peritos até um local dentro da Terra Indígena Tenharim onde, segundo a PF, foram encontrados vestígios de um carro que poderia ser o Gol preto no qual viajavam três homens desaparecidos desde o último dia 16. A região é atravessada pela rodovia Transamazônica.

O carro da reportagem entrou na balsa antes dos carros da PF. A viagem, por volta da meia-noite, estava marcada a pedido dos policiais, mas um sitiante local também estava na embarcação.

Logo após estacionar o carro na balsa, Alvino abordou os repórteres e disse que não permitiria o acesso ao local, a cerca de 140 km de distância. A reportagem argumentou que uma equipe da TV Globo já estava na região e que havia viajado horas num comboio da polícia.

Alvino então concordou que a Folha acompanhasse, mas, minutos depois, mudou novamente de ideia e orientou os trabalhadores da balsa a levar o carro da reportagem de volta a Humaitá.

Ele não permitiu sequer que a reportagem viajasse até o km 90, ainda fora do território indígena, onde funciona uma hospedagem.

Na hora do desembarque, Alvino se irritou quando a reportagem, que não ligou o carro para desembarcar, perguntou o seu nome. Falando que, "se vocês vão me foder, eu também vou foder vocês", disse que instauraria um inquérito.

O policial pediu então os documentos dos repórteres e do carro e chamou dois trabalhadores da balsa para anotar os nomes: "Vocês são testemunhas de que eu mandei eles desembarcarem lá e eles não desembarcaram, tá?"

"Estou até com vontade de deixar vocês [irem até a terra indígena] pra você ver como eles são bonzinhos. Mas eu não sou babá de imprensa, não. O [delegado Alves, que permitiu a presença da TV Globo] pode até ser, mas eu não sou, não. Não estou aqui pra te tratar bem, não, estou aqui pra fazer o meu serviço."

A polícia suspeita que os indígenas tenham matado os três ocupantes do carro, cujo desaparecimento provocou ataques da população vizinha a "alvos indígenas", como veículos e a sede da Funai e postos de pedágio operados pelos tenharim na Transamazônica.

Os tenharim negam qualquer envolvimento com o desaparecimento. Na quinta e na sexta-feira, permitiram que a reportagem visitasse suas aldeias e conversasse com qualquer morador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

TERREMOTOS NA VENEZUELA: CERCA DE 45.000 PESSOAS DADAS COMO DESAPARECIDAS.

  Pessoas procuram vítimas em meio aos escombros de um prédio que desabou, após terremotos em Caracas, Venezuela, em 25 de junho de 2026. RE...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS