Procuradoria da República no Distrito Federal apura oficialmente se
ex-presidente trabalhou para favorecer empreiteiras brasileiras no exterior
Por: Laryssa Borges, de
Brasília16/07/2015
NA MIRA – ex-presidente Lula, agora
alvo de inquérito do Ministério Público(Paulo Whitaker/Reuters)
Depois de cobrar
informações diretamente do ex-presidente Lula, a Procuradoria da República do
Distrito Federal decidiu abrir inquérito contra o petista para apurar a relação
dele com a construtora Odebrecht e investigar a possível prática de tráfico de influência
em favor da empresa por parte do petista, entre 2011 e 2014.
Para o Ministério
Público (MP), é preciso apurar a atuação de Lula na concessão de empréstimos
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o contexto
em que o petista viajou, às custas de empresas, para negociar contratos no
exterior.
Na portaria em que converte o caso para um procedimento
investigatório criminal, o MP pede que a força-tarefa da Operação Lava Jato
compartilhe todas as informações que envolvem o relacionamento entre o
ex-presidente e a Odebrecht.
Oficialmente, o
inquérito tem prazo de noventa dias para ser concluído, mas pode ser prorrogado
por diversas vezes.
Nesta fase de inquérito, se houver evidências de que o
ex-presidente tenha praticado tráfico de influência junto a agentes políticos
internacionais para influenciar a contratação da Odebrecht, o Ministério
Público pode pedir a adoção de medidas invasivas contra Lula, como quebras de
sigilo do petista e buscas e apreensões.
África - Reportagem de
VEJA revelou que Taiguara Rodrigues dos Santos ganhou contratos de
obras após o ex-presidente Lula ter viajado, com dinheiro da Odebrecht, para
negociar transações para a empreiteira.
Em 2012, por exemplo, a Exergia Brasil,
de Taiguara, foi contratada pela Odebrecht para trabalhar na obra de ampliação
e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola.
O acerto entre as partes
foi formalizado no mesmo ano em que a Odebrecht conseguiu no BNDES um
financiamento para realizar esse projeto na África.
Taiguara é filho de Jacinto
Ribeiro dos Santos, conhecido como Lambari, amigo de Lula na juventude e irmão
da primeira mulher do ex-presidente.
Funcionários do governo e executivos de
empreiteiras costumam identificá-lo como "o sobrinho do Lula".
Antes de abrir
oficialmente o procedimento criminal, a procuradoria deu prazo de quinze dias
para que Lula se explicasse e concedeu tempo também para que a Odebrecht,
empresa citada por delatores da Lava Jato como uma das integrantes do
"clube do bilhão", apresentasse a sua versão.
No pedido em que
reúne informações para apurar se Lula cometeu tráfico de influência, o MP cita
diversas menções de que o petista viajou com recursos da Odebrecht em busca de
contratos no exterior.
Em um dos casos, a empreiteira teria desembolsado
435.000 reais, por meio da DAG Construtora, para pagar um voo fretado para que
Lula fizesse suas transações em Cuba e na República Dominicana.
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