O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse, nesta quarta-feira (5), que as investigações da Polícia Federal que apura um esquema de corrupção envolvendo servidores públicos será concluída entre 15 e 20 dias.
A operação, denominada de Porto Seguro, está em fase de análise do material apreendido. A operação foi deflagrada em 23 de novembro. Entre os acusados estão a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.
O ministro minimizou a participação dela no esquema. "A dona Rose não atuava em vários crimes, apenas prestava favores mediante suborno", disse. Segundo a Polícia Federal, Rosemary intermediava contatos da quadrilha. Ela foi indiciada pelos crimes de corrupção, falsidade ideológica e tráfico de influência.
Ao justificar o fato de Rose não ter tido seus telefones interceptados pela PF, o ministro afirmou, antes mesmo de ser questionado pelos senadores, que "não houve blindagem política". Rose tem ligações íntimas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a nomeou para o cargo ainda na sua gestão. Ela foi mantida pela presidente Dilma.
| Sergio Lima/Folhapress 05/12/2012 |
| José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça |
O ministro foi convocado por comissões do Senado a explicar a operação ao lado do ministro Luís Inácio Adams, da AGU (Advocacia Geral da União). Adams foi vaiado por servidores da AGU que fizeram um apitaço interrompendo sua fala inicial.
O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), ameaçou retirar os manifestantes da sala, o que os conteve.
José Weber, braço direito de Adams na AGU, é apontado pela PF como o braço do esquema no órgão. Pareceres favorecendo interesses privados foram elaborados na AGU por orientação de Weber. A Folha publicou reportagem que mostrava que Weber falava em nome de Adams quando dava ordens para mudanças nos pareceres.
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