Em nota, o banco informa que “alteração se deve ao aumento
das taxas de juros básicos”
POR O GLOBO 15/01/2015 14:55 /
Prédio em construção em São Paulo: crédito imobiliário mais caro -
Paulo Fridman / Bloomberg News
BRASÍLIA -
A Caixa confirmou nesta quinta-feira o
aumento nas taxas de juros para novos financiamentos imobiliários, conforme antecipou O GLOBO ontem.
A medida começa
a valer a partir do dia 19 deste mês. Em nota, a Caixa informa que a “alteração
se deve ao aumento das taxas de juros básicos”.
O reajuste não vale para
contratos em andamento.
De acordo com a tabela divulgada, as novas taxas
variam de 8,5% a 9,15% ao ano para empréstimos do Sistema Financeiro de
Habitação (SFH), no qual se enquadram imóveis que custam até R$ 750 mil.
O SFH
usa recursos do FGTS e da poupança. Já no caso dos empréstimos do Sistema
Financeiro Imobiliário (SFI), para imóveis que não se enquadram no SFH, ou
seja, acima de R$ 750 mil, as novas taxas variam de 10,30% a 11%.
Na tabela anterior, os financiamentos do SFH variavam de 8% a 9,15% ao
ano; e pelo SFI, de 8,8% a 9,2% ao ano.
Nos dois casos, as taxas de juros
dependem se o cliente tem conta salário, é servidor público ou tem
relacionamento com o banco.
Veja na tabela abaixo cada taxa anual:
Segundo a Caixa, as taxas de
financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa
Minha Vida e do FGTS não sofrerão qualquer correção em suas taxas de juros.
A
taxa básica de juros do país (a Selic) está hoje em 11,75% ao ano.
ENTENDA
A DIFERENÇA ENTRE OS SISTEMAS
O SFH detém a maioria dos financiamentos da casa
própria no país. Nele são usados os recursos captados na caderneta de poupança
ou no FGTS.
Ou seja, quando um brasileiro deposita na aplicação mais popular do
país ou o patrão aporta no FGTS em nome do funcionário, o banco empresta esse
dinheiro para clientes que querem comprar imóveis.
Já no SFI os bancos usam
recursos próprios.
Aumentar os juros de empréstimos subsidiados vai ao
encontro do pensamento da nova equipe econômica, liderada pelo ministro da
Fazenda, Joaquim Levy.
Ele defende um freio nos créditos com benefícios do
governo, por acreditar que isso ajudará o Banco Central (BC) a controlar a inflação.
CAIXA DETÉM 75% DO MERCADO
Com o crescimento do chamado crédito direcionado
(voltado para o investimento e com taxas de juros menores), a política de
elevar os juros para frear o consumo ficou enfraquecida.
Isso porque vários
desses empréstimos, inclusive o habitacional, ficam fora desse aperto. Ou seja,
estão imunes à atuação do BC.
O crédito habitacional ficou mais barato a partir
de 2012, quando a presidente Dilma Rousseff usou os bancos públicos para
liderarem a redução dos juros ao consumidor, historicamente altos.
Uma mudança
nas taxas de crédito imobiliário da Caixa mexe com todo o setor, já que a
instituição detém 75,6% do mercado.
Segundo dados do BC, o Brasil tem R$ 424,1
bilhões em contratos de crédito imobiliário ativos.
É o crédito que mais cresce
no país: nos últimos 12 meses, saltou 27%.
Nenhum comentário:
Postar um comentário