A volta de Mangabeira Unger e a nomeação de Miriam Belchior para a Caixa provam que ninguém no mundo escolhe o que há de pior tão bem quanto Dilma Rousseff
“Um perigo a menos na Amazônia: o sotaque perdido na selva vai embora”, resumiu o título do post de junho de 2009 que saudou a partida para os Estados Unidos de Roberto Mangabeira Unger, a estranha figura que chefiava, com status de ministro, a Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Cinco anos e meio depois, sempre inexplicavelmente, Dilma Rousseff recolocou no mesmíssimo cargo o único baiano que fala português com sotaque de diplomata americano que chegou ao Brasil faz meia hora.
O texto republicado na seção Vale Reprise decifra o mistério surgido no momento em que nasceu a extravagância: para que serve, afinal, uma Secretaria de Assuntos Estratégicos? Serve para mostrar que ninguém no mundo nomeia o que há de pior tão bem quanto Dilma Rousseff.
Com Mangabeira Unger, a presidente completou a montagem do mais bisonho primeiro escalão de todos os tempos.
E pôde dedicar-se à difícil tarefa de reprisar a conquista com o segundo escalão.
Dilma mostrou-se à altura da missão ao substituir Graça Foster por Aldemir Bendine.
Nesta terça-feira, garantiu o troféu com a entrega da presidência da Caixa Econômica Federal a Miriam Belchior.
Faz sentido: ex-mulher do prefeito Celso Daniel, a companheira é especialista em caixa-preta.
10/02/2015
às 16:15Miriam Aparecida na CEF. A boa e a má notícia…
Conheço Miriam Aparecida Belchior desde o início da década de 80, quando eu, ela e Celso Daniel éramos militantes do mesmo núcleo do PT — o “Núcleo do Centro”, em Santo André. Tenho cá minhas dúvidas se ela sabe direito a diferença entre nota fiscal e duplicata. Não é burra, não. Tem formação intelectual, mas não é, digamos, do ramo bancário.
E vai presidir a Caixa Econômica Federal por quê? Porque é petista e fiel a Dilma, embora seja oriunda do campo lulista (nas priscas eras….). Mais uma vez, o comando de uma instituição bancária essencial fica sob o controle político, não técnico.
Quer uma boa notícia, leitor amigo? Com Miriam lá, a chance de os petistas de Lula tomarem conta do banco cai um pouco. Quer uma má notícia? Quem cuidará do assunto serão os petistas de Dilma. Se eu estiver com uma faca do Estado Islâmico no pescoço e tiver de escolher um dos dois grupos, escolho o de Dilma. Logo, não seria uma escolha…
Dilma já demonstrou o interesse em abrir o capital da Caixa. Espero que o faça. O outro nome disso é “privatização” de uma parte das ações do governo. Quanto mais mercado houver no banco oficial, melhor. Se ficar claro que uma das missões de Miriam é essa — mesmo não sabendo a diferença entre nota fiscal e duplicata —, o mercado reagirá bem.
Por Reinaldo Azevedo
Tags: CEF, Miriam Belchior
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