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BRASÍLIA - Deputados e assessores da
bancada do PT na Câmara receberam um manual do partido para orientar os
parlamentares da nova legislatura em como lidar com a imprensa e também dá
dicas sobre o funcionamento da Casa. O livreto é crítico em relação aos veículos
de circulação nacional, chamados de “imprensa tradicional” no texto, e
recomenda ao deputado falar pouco durante entrevistas, deixando nas entrelinhas
que a pauta da reportagem pode ser uma “tese” na qual a direção do jornal, da
rádio ou da TV querem ver comprovada de qualquer maneira.
"A pauta vale mais do
que a realidade. Mesmo que o fato não corresponda a ela, acaba prevalecendo no
noticiário de determinados veículos a versão previamente preparada pelas
chefias ou mesmo uma fonte com interesse específico em distorcer a realidade"—
diz o manual.
O documento, nominado
"#PT na Câmara - Guia de Funcionamento da Câmara dos Deputados e da
Liderança do PT", recomenda ao deputado distinguir o jornalista - “o
trabalhador assalariado” - da empresa para qual trabalha para evitar conflitos
desnecessários no relacionamento entre parlamentares e os profissionais da
imprensa. Ainda assim, afirma o manual, o repórter é influenciado de várias
formas pelos interesses dos que controlam os meios de comunicação.
"Normalmente, o repórter
escreve a notícia a partir de uma pauta. A pauta pode partir da chefia
imediata, quando o repórter tem mais possibilidade de influir, ou pode vir
fechada da direção do jornal, com poucas chances de alteração".
O texto sugere duas alternativas
caso a fonte, o parlamentar petista, discorde da tese: não conceder a
entrevista ou tentar derrubá-la com argumentos. “Nesse último caso, é preciso
ter paciência, mas pode, surtir efeito (derrubar a entrevista), especialmente
nos casos mais flagrantes de distorção premeditada. Na regra, porém, prevalecem
as "teses" das redações”.
Para os petistas, desde 2003,
quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, a imprensa tenta
colocar a opinião pública contra os governos do partido, e cita que o que se
viu nos últimos anos é uma população "vacinada contra manipulações".
O manual diz também que o poder da internet e das novas mídias e as redes
sociais têm esvaziado o poder de manipulação da imprensa tradicional. "No
caso das mídias sociais e dos blogs alternativos, o parlamentar tem chance de
dar um recado mais direto, sem o filtro ideológico imposto pela grande
mídia".
Para o PT, de tudo que
acontece no Congresso Nacional pouco é publicado pela grande imprensa,
principalmente medidas que afetam segmentos mais pobres. "Às vezes,
decisões importantes, que vão refletir o dia a dia do cidadão, ficam no
anonimato. Decisões que impactam positivamente a vida das camadas mais pobres
da sociedade ou são ignoradas ou, quando saem, às vezes têm um viés
preconceituoso". O partido diz que boa parte do que é publicado tem
enfoque negativo e generalista.
OS
PRINCIPAIS PONTOS DA CARTILHA:
1 - Fale pouco,
a entrevista pode ser uma tese contra você para distorcer a realidade
2 - Saiba
distinguir o jornalista da empresa para qual ele trabalha
3 - Se discordar
do tema não dê entrevista ou derrube a pauta com argumentos
4 - Dê
preferências a blog alternativos e redes sociais para dar um recado sem filtro
ideológico
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