FIM DE LINHA PARA LULA ► PGR NÃO TEM MAIS DÚVIDAS DE QUE LULA COMANDOU TRAMA CONTRA A LAVA JATO.

Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente
Depoimento de Delcídio do Amaral, combinado a provas como mensagens eletrônicas e extratos telefônicos, reforçam a convicção dos investigadores de que o ex-presidente coordenou operação para comprar o silêncio de uma testemunha que poderia comprometê-lo

Por: Thiago Bronzatto14/05/2016

Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente
(Ricardo Stuckert/Instituto Lula/VEJA)
Em sua última aparição pública, na manhã de quinta-feira, Lula estava abatido.

Cabelos desgrenhados, cabisbaixo, olhar vacilante, entristecido.

Havia motivos mais que suficientes para justificar o comportamento distante.

Afinal, Dilma Rousseff, a sucessora escolhida por ele para dar sequência ao projeto de poder petista, estava sendo apeada do cargo.
O fracasso dela era o fracasso dele.

Isso certamente fragilizou o ex-presidente, mas não só.

Há dois anos, Lula vê sua biografia ser destruída capítulo a capítulo.

Seu governo é considerado o mais corrupto da história.

Seus amigos mais próximos estão presos.

Seus antigos companheiros de sindicato cumprem pena no presídio.

Seus filhos são investigados pela polícia.

Dilma, sua invenção, perdeu o cargo.

O PT, sua maior criação, corre o risco de deixar de existir.

E para ele, Lula, o futuro, tudo indica, ainda reserva o pior dos pesadelos.
O outrora presidente mais popular da história corre o risco real de também se tornar o primeiro ex-presidente a ser preso por cometer um crime.

VEJA teve acesso a documentos que embasam uma denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente.

São mensagens eletrônicas, extratos bancários e telefônicos que mostram, segundo os investigadores, a participação de Lula numa ousada trama para subornar uma testemunha e, com isso, tentar impedir o depoimento dela, que iria envolver a ele, a presidente Dilma e outros petistas no escândalo de corrupção na Petrobras.

Se comprovada a acusação, o ex-presidente terá cometido crime de obstrução da Justiça, que prevê uma pena de até oito anos de prisão.

Além disso, Lula é acusado de integrar uma organização criminosa.

Há dois meses, para proteger o ex-presidente de um pedido de prisão que estava nas mãos do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, a presidente Dilma nomeou Lula ministro de Estado, o que lhe garantiria foro privilegiado.

Na semana passada, exonerado do governo, a proteção acabou.

Há várias investigações sobre o ex-­presidente.

De tráfico de influência a lavagem de dinheiro.

Em todas elas, apesar das sólidas evidências, os investigadores ainda estão em busca de provas.

Como Al Capone, o mafioso que sucumbiu à Justiça por um deslize no imposto de renda, Lula pode ser apanhado por um crime menor.

Após analisar quebras de sigilo bancário e telefônico e cruzar essas informações com dados de companhias aéreas, além de depoimentos de delatores da Lava-Jato, o procurador-geral Rodrigo Janot concluiu que Lula exerceu papel de mando numa quadrilha cujo objetivo principal era minar o avanço das investigações do petrolão.

Diz o procurador-geral:

"Ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Costa Marques Bumlai e Maurício de Barros Bumlai (...), Luiz Inácio Lula da Silva impediu e/ou embaraçou a investigação criminal que envolve organização criminosa".

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