Senador
Humberto Costa (PT-PE)
(Antonio
Cruz/Agência Brasil)
PT insistirá na judicialização
do impeachment. Teori manda recado
'Admitir-se a possibilidade de controle
judicial do mérito da deliberação do Legislativo significaria transformar em
letra morta o art. 86 da Constituição', afirmou o ministro ao negar recurso da
AGU
Depois de ver mais um pedido do
governo rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez por decisão
individual do ministro Teori Zavascki, o PT prepara uma nova rodada de recursos
à Justiça, desta vez com questionamentos sobre o mérito das acusações de crime
de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff.
A avaliação é que as
liminares já negadas pelo Supremo diziam respeito a questões regimentais, como
a suposta impossibilidade de orientação de votos, e a inclusão da delação
premiada do senador cassado Delcídio do Amaral no relatório da comissão
especial do impeachment na Câmara, mas não se debruçaram sobre a discussão das
pedaladas fiscais e da liberação de crédito suplementar sem autorização do
governo.
Agora, a ideia do PT é provocar o
Supremo para que ele analise se são crimes de responsabilidade o fato de a
petista ter maquiado as contas públicas ao assinar decretos de liberação de
crédito extraordinário, sem aval do Congresso, para garantir recursos e burlar
a real situação de penúria dos cofres do governo, e de ter atrasado
deliberadamente repasses para o Banco do Brasil enquanto a instituição
financeira era obrigada a pagar incentivos agrícolas do Plano Safra 2015.
Neste
último caso, o governo postergou o repasse de 3,5 bilhões de reais ao BB para
pagamento de subsídios aos agricultores, forçando a instituição a utilizar
recursos próprios para depois ser ressarcida pelo Tesouro.
Ao negar nesta quarta-feira recurso
da Advocacia-Geral da União para anular o processo de impeachment contra a
presidente Dilma Rousseff, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal
Federal, deixou claro que a tentativa do governo federal de judicializar a
questão deve seguir infrutífera.
"Não há base constitucional para qualquer
intervenção do Poder Judiciário que, direta ou indiretamente, importe juízo de
mérito sobre a ocorrência ou não dos fatos ou sobre a procedência ou não da
acusação.
O juiz constitucional dessa matéria é o Senado Federal, que,
previamente autorizado pela Câmara dos Deputados, assume o papel de tribunal de
instância definitiva, cuja decisão de mérito é insuscetível de reexame, mesmo
pelo Supremo Tribunal Federal.
Admitir-se a possibilidade de controle judicial
do mérito da deliberação do Legislativo pelo Poder Judiciário significaria
transformar em letra morta o art. 86 da Constituição Federal", escreveu o
magistrado.
A despeito da derrota imposta com a
decisão do ministro Teori Zavascki de rejeitar o pedido de anulação do processo
de impeachment, o líder do governo no Senado Humberto Costa (PT-PE) disse hoje
que "não há sustentação jurídica para crime" e, portanto, essa nova
investida judicial poderia surtir efeito.
"Vamos seguir com a luta em
todas as frentes: parlamentar, política e social e no Judiciário",
afirmou.
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