◘ RECRIAÇÃO DA CPMF SERÁ UM GRAVE RETROCESSO


O Brasil avançou na formalização dos negócios, dos empregos e da chamada 'bancarização'. 

A recriação da CPMF, um mau tributo, poria tudo isso em risco 

O futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy tem como meta alcançar um verdadeiro superior primário nas finanças públicas equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem.

Não será tarefa fácil diante da série de armadilhas que a atual equipe econômica acabou armando para si mesma e que certamente contribuiu para a degradação do ambiente de negócios no país.

Levy é apontado como o homem certo para o lugar certo na conjuntura que a economia atravessa porque marcou suas passagens pelo setor público por uma ótima gestão das finanças governamentais, mostrando que sabe cortar gastos sem que isso venha a significar uma paralisação da administração ou interrupção de investimentos prioritários.

Se posto em prática da maneira correta, o ajuste fiscal, ao contrário do que a atual equipe prognosticou, não tem efeito recessivo duradouro porque o ambiente de negócios logo se restabelece, com o investidor privado recuperando confiança no potencial da economia (que, no caso do Brasil, não é irrelevante).

Mas o futuro ministro não descartou a possibilidade de vir a aumentar impostos e contribuições que possam auxiliá-lo nesse esforço de ajuste. Também é compreensível em situações específicas, e um dos exemplos seria a volta da cobrança da Cide sobre os preços da gasolina.

Os engarrafamentos que atormentam a vida de todos nas áreas urbanas e a importação desse tipo de derivado enquanto as contas externas estão em trajetória de desequilíbrio crescente até poderiam justificar o retorno da Cide.

No entanto, seria totalmente absurdo a ressurreição da famigerada CPMF, como tem sido cogitado por integrantes da base que apoia o governo no Congresso.

Como se trata de um tributo de fácil arrecadação, autoridades fazendárias sempre ficam tentadas a recriar a CPMF nos momentos de aperto. É um mau imposto em todos os sentidos.

Por isso, os países que tentaram seguir por esse caminho voltaram a atrás. Trata-se de gravame que incide em cascata e atinge mais as cadeias produtivas que agregam valor.

Acaba onerando as atividades que mais podem contribuir para o desenvolvimento econômico, melhores empregos, aumento de renda, porque a pequena alíquota no início do processo aumenta como uma bola de neve.

O apelo social que costuma acompanhar a recriação da CPMF é injustificado. Mesmo com baixo crescimento econômico, houve um saudável processo de formalização, incluindo os micronegócios.

A figura do microempreendedor individual e a ampliação das atividades incluídas no sistema Simples estão entre as iniciativas elogiáveis da política tributária do primeiro governo Dilma.

A CPMF causaria um retrocesso tremendo, estimulando a informalidade.

O país já tem mais de 100 milhões de contas bancárias e 400 milhões de cartões de crédito e débito, e ainda não esgotou o potencial de crescimento da "bancarização".

Por que pôr isso em risco?

Fonte http://oglobo.globo.com/opiniao/recriacao-da-cpmf-seria-um-grave-retrocesso-14897933

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

MARCO RUBIO DECLAROU QUE BRASIL JÁ NÃO FAZ PARTE DA LISTA DE "PAISES AMIGÁVEIS" AOS 'EUA'

  Publicado em 02 de junho de 2026 Por Claudio Dantas Marco Rubio  declarou que já não fazemos parte da lista de ‘países amigáveis’ aos EUA...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS