Cidade americana abriga a maior parte dos refugiados da ilha.
Eles rejeitam troca de americano por espiões cubanos presos.
Os cubanos em
Miami, cidade americana onde vive a maior parte dos refugiados da ilha,
rejeitaram nesta quarta-feira (17) a "traição" do presidente Barack
Obama de fazer concessões a Havana, após a libertação do funcionário
terceirizado do governo americano Alan Gross.
"É uma
traição", disse à "France Presse" o cubano Evelio Montada, de 70
anos, na conhecida Calle Ocho de Little Havana, por muito tempo epicentro da
vida cubana em Miami, na Flórida (sudeste dos EUA), onde várias pessoas se
reuniam, sobretudo idosos, para conversar sobre o acontecimento histórico do
dia.
Nesta
quarta-feira (17), o governo
americano iniciou uma histórica aproximação com Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio
de diversas sanções vigentes há meio século.
O anúncio foi
feito depois da libertação de Gross, que ficou cinco anos detido na ilha e era
o principal obstáculo para uma aproximação após a chegada de Obama ao poder, em
2009.
O americano foi
solto em troca de três agentes cubanos que cumpriam penas em presídios de
Miami. Os agentes eram acusados de espionar grupos anticastristas.
Diversos grupos
do exílio comemoraram que Gross fosse enviado para os Estados Unidos, mas
rejeitaram que tivesse sido trocado pelos espiões.
"A decisão
do governo do presidente Barack Obama de soltar três espiões terroristas da
ditadura castrista, em troca de pôr fim ao injusto sequestro do cidadão
americano Alan Gross, é um grave erro", disse o secretário-geral do
Diretório Democrático Cubano, Orlando Gutiérrez-Boronat, em um comunicado.
Rosa María
Payá, filha do dissidente Oswaldo Payá falecido em julho de 2012 em um acidente
de carro em Cuba, disse que Gross era um "refém", não um preso comum.
"Não acho
que seja o tratamento que se dê ao sequestrador", afirmou Rosa,
referindo-se às concessões de Washington a Havana.
Indignação contra Obama
"Sabia que isso ia acontecer. Há tempos que
ele (Obama) vem com essa confusão", disse Osvaldo Hernández, de 50 anos,
da organização
anticastrista Vigilia Mambisa, no Café Versailles da Calle Ocho,
símbolo do exílio cubano.
Osvaldo chegava
ao local para protestar contra a abertura de relações com Havana.
"O embargo
nunca vai ser suspenso, porque tem de ser decidido pelo Congresso americano,
mas Obama é um covarde por anunciar essa aproximação", afirmou Hernández,
com um cartaz denunciando a "traição" de Washington.
"É uma
falta de respeito. (Obama) é mais fidelista e comunista do que outros",
disse Félix Tirse, indignado, que chegou de Cuba aos EUA há 53 anos.
Para outros
cubanos, que saíram de Cuba e já vivem há muitas décadas nos Estados Unidos, a
notícia não causou maiores reações.
"Cuba não
me interessa. Isso não me afeta", minimizou Pedro Alvarez, de 79 anos, 52
deles vividos nos Estados Unidos.
Alvarez
conversou com a "France Presse" no Domino Park, na Calle Ocho, onde
cubanos e outros latino-americanos costumam se reunir e passam o dia jogando.
"Que as
relações vão melhorar? Eu duvido, depois de mais de meio século de
disputas", acrescentou o aposentado.
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